Coronavírus não deve adiar Jogos Olímpicos de Tóquio

Katia Rubio acredita que é possível a adoção de transmissões televisivas e via internet das competições, que seriam realizadas com arenas vazias

A disseminação do coronavírus por diversos países, bem como a confirmação de casos nos cinco continentes, está colocando em dúvida a data dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Próximo à China, país epicentro da epidemia do novo coronavírus, o Japão está se preparando para importantes decisões sobre a realização dos jogos, mesmo que seu adiamento esteja fora de cogitação pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com Katia Rubio, professora da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP e membro da Academia Olímpica Brasileira.

“Questões de saúde pública de ordem global afetam tudo. Os Jogos Olímpicos são mais complexos, porque são um evento que se realiza a cada quatro anos. [Eles] envolvem uma complexidade tanto do ponto de vista da organização quanto da estrutura econômica”, avalia Kátia, que foi a presidente fundadora da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.

Fotomontagem: Moisés Dorado sobre imagens Wikimedia Commons

Somente em três edições as Olimpíadas de verão modernas foram interrompidas, todas causadas por guerras: em 1916, em Berlim (Alemanha) devido à Primeira Guerra Mundial; a edição de 1940, primeiramente sediada em Tóquio (Japão), mas transferida para Helsinque (Finlândia) por causa da Segunda Guerra Sino-Japonesa, em 1937, foi cancelada em 1939, devido à Segunda Guerra Mundial; a terceira e última vez em 1944, quando Londres (Reino Unido) receberia os jogos, transferidos para 1948. “Há todo um imaginário construído junto com essa competição que torna esse evento inadiável”, explica a professora da EEFE.

O COI está buscando alternativas para que o evento aconteça. Katia diz que em Tóquio uma possibilidade é a adoção de transmissões televisivas e pela internet das competições, que seriam realizadas com arenas vazias: “O que pode ser uma inovação para os Jogos Olímpicos como estrutura e instituição”. Contudo, o turismo local e a infraestrutura montada pelo governo japonês vão sofrer, mas ainda não é possível calcular os prejuízos.

“Esse momento traz uma discussão importante no movimento olímpico, que é o ônus dos jogos. Quem olha para isso pensa que os jogos são só uma fonte de lucro e não é [verdade]. Quem realiza, como o Brasil há quatro anos, sabe perfeitamente o risco de prejuízo que os jogos podem dar”, garante Katia Rubio. “Mas uma coisa é um risco por incompetência de governança dos países e autoridades envolvidos na organização. Outra é um evento que foge do controle, como é o caso do coronavírus.”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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