Coronavírus é ameaça crescente no interior do Estado de São Paulo

Walter Figueiredo explica que Araraquara tem enfrentado a disseminação de covid-19 testando grupos de risco e mantendo o isolamento social

jorusp

 

Segundo levantamento feito pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional de São Paulo, que mediu o avanço da pandemia entre 1º e 30 de abril, houve uma explosão de casos de covid-19 no interior, com aumento de 3.302% no número de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. O Jornal USP no Ar conversou com o professor Walter Figueiredo, diretor do Serviço Especial de Saúde (Sesa) de Araraquara, vinculado à Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, para entender as medidas que o município tem tomado para conter a disseminação do vírus.

O Sesa, órgão responsável pelas ações de vigilância epidemiológica no município de Araraquara, em conjunto com o Comitê Municipal de Enfrentamento do Coronavírus, tem estudado desde o início dos casos de coronavírus em Araraquara os fatores que contribuem para a disseminação da doença na cidade, como, por exemplo, o fluxo entre a capital e o município, como explica Figueiredo: “Tivemos uma onda, no início, de pessoas ligadas ou que tinham estado na capital, mas ela reduziu muito não só pelo isolamento, pelo teletrabalho também. Isso provavelmente tem diminuído muito o fluxo entre Araraquara e a capital”.

Um estudo realizado pela Unesp de Botucatu aponta Araraquara como uma das cidades interioranas com possível foco de disseminação do vírus. Devido a isso, Figueiredo compartilha que o município tem se empenhado em realizar o máximo de testes possíveis: “Uma parceria com Unesp e Embraer disponibilizou 40 mil testes para alguns locais como São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, e a gente tem hoje a disponibilidade para nossa região de 16 mil testes para serem feitos, o que está possibilitando testar a maioria das síndromes gripais, grupos de risco e profissionais da saúde”. Araraquara registra até o momento 136 casos de coronavírus e quatro óbitos.

Em relação ao isolamento social, apesar de o município acompanhar as medidas implementadas pelo governo do Estado, Figueiredo diz que a cidade está com aproximadamente 40% de adesão ao isolamento, índice considerado baixo, mas que, ainda assim, o isolamento é a principal medida para conter a disseminação do vírus na população. 

Um cenário em que a flexibilização do isolamento possa ocorrer na cidade está sendo estudado, embora com muitos pontos de atenção: “Está sendo discutido e tem que ser verificado exatamente como é que vai se dar essa flexibilização, qual setor provavelmente escalonado vai começar isso, e a gente tem que garantir que tenha leitos disponíveis, a estrutura de saúde para fazer frente a um possível aumento de casos a partir da flexibilização, a gente tem que ter profissionais da saúde preparados para isso e na ativa, ter equipamentos de proteção individual disponíveis para as pessoas e ficar testando a população, e isso a gente está fazendo no momento, a gente tem testado o máximo possível”.

Ouça a íntegra da entrevista no link.


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