Conhecer o próprio corpo é o primeiro passo para prevenir o câncer de próstata, diz especialista

Segundo Arnaldo Fazoli, a normalização de alterações miccionais ou cutâneas é um dos principais motivos que impedem os homens de buscarem ajuda especializada

 09/11/2020 - Publicado há 1 ano

Durante o mês dedicado aos cuidados com a saúde masculina, o Novembro Azul, especialista aponta que o preconceito, a falta de informação e a normalização de alterações funcionais ou cutâneas são motivações determinantes para impedir os homens de buscarem ajuda médica. Apesar do receio que alguns homens têm, o exame de toque retal nem sempre é preciso. A necessidade é variável de acordo com cada caso, mas é indolor, rápido e eficaz para diagnosticar tumores precocemente.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Arnaldo Fazoli, médico urologista do grupo de próstata do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) que integra o complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), informa que além do câncer de próstata, estão entre os principais tumores urológicos o de pênis, testículo, rim e bexiga. As consultas urológicas são importantes para detectar a doença e iniciar o tratamento precoce ou prevenir o surgimento de tumores e outras doenças comuns. As investigações clínicas variam de acordo com as necessidades de cada paciente e nem sempre são necessários os exames de toque retal ou antígeno prostático específico (PSA), mas caso sejam, normalmente não há dor e são rápidos: “O exame físico, que é através do toque retal e assusta tanto os pacientes, é praticamente indolor e dura menos de 10 segundos. É um exame que traz informações importantes e pode fazer diagnóstico precoce de câncer de próstata”.

Apesar do câncer de próstata ser o segundo mais comum entre os homens, como informa o Instituto Nacional do Câncer (Inca), nem sempre os sintomas miccionais, ou seja, a dificuldade de urinar, alteração nos rins, bexiga, próstata ou uretra significam câncer. Contudo, o professor compartilha que é preciso observar as funções miccionais para não normalizar qualquer alteração e procurar ajuda especializada logo nos primeiros sinais para garantir tratamento: “Se o paciente levanta muitas vezes para urinar ou tem dificuldade, está com incontinência ou sangramento isso precisa ser investigado. Muitas vezes, conseguimos resolver rápido e facilmente sem necessidade de exames ou tratamentos invasivos”.

A hiperplasia acomete mais da metade dos homens acima de 50 anos e nem sempre causa sintomas. Para identificar a doença ou não, o paciente é investigado de forma individualizada, levando em consideração suas características, por isso a importância das consultas com o urologista. Quanto ao câncer de testículo, o dr. Fazoli alerta ser quase impossível de prevenir e pode começar como um nódulo endurecido, sem dor no estágio inicial e é possível notar se um testículo está diferente do outro quanto à rigidez. Este tipo atinge principalmente jovens na idade entre 20 e 30 anos. 

Já o câncer peniano é fácil de prevenir, basicamente com higiene. O tumor geralmente se manifesta como uma pequena verruga no pênis e há uma tendência de o indivíduo acreditar ser inocente e não buscar tratamento, mas quando o câncer atinge estágio avançado o tratamento comum é a amputação do membro. Apesar de traumático, o câncer de pênis não é tão comum. Porém, em caso de dúvidas, “é preciso tratar em consulta e deixar de lado o preconceito. Com uma consulta rápida nós conseguimos prevenir ou tratar”, finaliza o especialista.

Ouça a entrevista na íntegra pelo player acima.


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