Concessões e privatizações são receita do governo para retomar economia

Para o professor Roy Martelanc (FEA), o país poderá atrair investidores se tiver uma combinação de boas oportunidades e estabilidade institucional, deixando de lado discussões políticas e ideológicas

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Fotomontagem Jornal da USP – Foto: Regiane Gallé – flickr

Apesar da crise do novo coronavírus, o governo voltou a falar em concessões e privatizações e a bater na tecla da redução da presença do Estado na economia. O fato é que o governo federal defende as concessões e as privatizações como forma de gerar empregos e arrecadar recursos, em um momento em que o mundo apresenta muita liquidez e juros baixos. Mas será que existe interesse em investir no Brasil, ainda mais em tempos de pandemia ? Para o professor Roy Martelanc, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, que falou em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o País poderá atrair investidores se tiver uma combinação de boas oportunidades e estabilidade institucional, o que significa não perder tempo em discussões políticas e ideológicas, que só viriam a atrapalhar o processo de concessões e privatizações.

Quando o novo governo assumiu, prometeu atrair investidores e realizar as reformas necessárias, mas foi lento e “brigou mais do que precisava, com gente que não precisava”, não tendo se organizado. Ou seja, gastou o ano de 2019 discutindo as coisas mais do que fazendo. Com o advento da crise do novo coronavírus, tudo ficou paralisado e, para Martelanc, já está mais do que na hora de colocar a mão na massa novamente e fazer efetivamente o que é preciso ser feito, no que se refere, por exemplo, às concessões e às privatizações. De acordo com o professor da FEA, a privatização, por uma série de fatores – como o de atender aos interesses dos partidos de origem sindical -, é sempre um processo mais complicado do que a concessão.

De resto, vale lembrar que empresas como a Petrobrás e a Eletrobrás estão na mira do pacote de privatizações do governo de Jair Bolsonaro. Em relação a esta última, Martelanc admite que se trata de uma empresa cara para operar, um dos motivos pelos quais é alto o custo da energia elétrica no Brasil. No entanto, caso haja a privatização – e se ela for bem feita -, o professor acredita que esse problema possa ser resolvido. No entanto, o governo também fala em arrendamentos portuários, desestatização de portos e novas licitações de aeroportos, mas isso também não chega a ser novidade, pois administrações passadas já tentaram privatizar os portos, embora sem sucesso. Agora, no entanto, Martelanc acredita que isso já seja possível, pelo menos em relação aos portos – no caso dos aeroportos, a coisa já é um pouco mais complicada, uma vez que os melhores já foram concedidos ao setor privado, restando apenas os secundários.

Para finalizar, o professor aborda a questão da relação entre concessões e privatizações e a geração de empregos. Ele lembra que o que mais atrapalha o concessionário para dar início às obras e gerar empregos é o licenciamento ambiental, um processo que costuma ser lento, mas que pode, sim, gerar empregos a longo prazo. Já em relação à privatização, a geração de empregos não é a prioridade – mais importante, de fato, é atrair capital.


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