Como evitar que o terror leve a um aumento da intolerância e da xenofobia?

Número crescente de atentados terroristas só fez aumentar os casos de xenofobia e intolerância

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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O atentado terrorista em Barcelona, no dia 17 de agosto, deixou um saldo de 15 mortos e 130 feridos. Reivindicado pelo Estado Islâmico, o ataque trouxe de volta o discurso da luta contra o terrorismo nos países ameaçados ou naqueles que já sentiram em seu território a ação do terror. Na tentativa de prevenir a ocorrência de novos  ataques, eles aumentam o estado de vigilância sobre a população, enquanto aconselham seus cidadãos a ser mais tolerantes com os imigrantes.

Atentado terrorista em Barcelona – Foto: Reprodução / CSB / YouTube

O fato, porém, é que, ao mesmo tempo em que cresce a ameaça terrorista, assistimos a um aumento da xenofobia e da intolerância. Para o professor Samuel Feldberg, do Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP, “a xenofobia e a intolerância têm um viés específico, que pode estar ligado às consequências tanto das crises econômicas recorrentes da última década quanto ao fenômeno dos refugiados”. Estes, por sua vez, são vítimas da radicalização religiosa e dos conflitos nos países do Terceiro Mundo, especialmente no Oriente Médio e na África.

Atitudes xenofóbicas incluem do impedimento à imigração de pessoas pertencentes a diferentes culturas e etnias – Foto: Wyoming_Jackrabbit via Flickr – CC

Não há dúvida, na opinião de Feldberg, de que as democracias ocidentais enfrentam um dilema, representado pela dicotomia entre proteger os seus cidadãos e as liberdades individuais simultaneamente. Por outro lado, “é quase impossível impedir a realização de ataques terroristas”. Nos últimos anos, observou-se a intensificação do fenômeno que se tornou conhecido como atuação dos lobos solitários, que “advém da propagação de determinadas ideias que impregnam determinados grupos”, os quais  passam a agir movidos por tais ideologias.

Ao lado disso, houve ainda  um agravamento do que se poderia chamar de exportação da prática do terrorismo para comunidades do mundo ocidental. Para Feldberg, a Europa e os EUA deviam mirar-se no exemplo de Israel, que tem conseguido, por meio da inteligência e dos serviços de informação, manter o terrorismo longe de suas fronteiras.

 

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