Como a filosofia contribui para a formação dos cientistas

Espírito crítico e busca pela ética são componentes filosóficos que aprimoram a educação científica

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Na coluna Ciência e Cientistas, o físico Paulo Nussenzveig fala sobre a relação entre filosofia e ciência, e mostra que, apesar das controvérsias, o espírito crítico e a busca pela ética dos filósofos oferecem uma grande contribuição à formação dos cientistas. O ponto de partida da discussão é uma entrevista do imunologista português Antônio Coutinho, publicada pela Folha de S.Paulo, no último dia 3 de junho. “Coutinho estava defendendo que a ciência avança através da experimentação, excluindo hipóteses que falham em descrever adequadamente os resultados de observações e que isso não ocorre com a filosofia”, conta.

O físico cita o artigo Por que filosofia da ciência importa, da professora Suprena E. Smith, da Universidade de New Hampshire (Estados Unidos). O texto, publicado pela Folha de S.Paulo em 1º de julho, defende a importância da filosofia na educação científica, “explicando que a filosofia trata de questões que não podem ser resolvidas exclusivamente pelos fatos e que a filosofia da ciência é a aplicação dessa abordagem ao domínio científico”. Do texto, Nussenzveig chama a atenção para as preocupações com verdade, objetividade e vieses cognitivos. “Segundo ela, os alunos consideram a ciência puramente objetiva, esquecendo-se do papel que pressuposições (preconceitos) podem desempenhar no desenho de experimentos científicos e na compreensão dos resultados”, afirma. “Todos temos vieses e eles interferem no trabalho criativo da ciência”.

Gundula Bosch, professora da Universidade Jonhs Hopkins (Estados Unidos) é mencionada pela proposta que faz no artigo Treinar estudantes de doutorado para se tornarem pensadores, não meros especialistas, publicado na revista Nature em 15 de fevereiro. “Ela chama a atenção para que, nos nossos programas de formação de cientistas, os programas de pós-graduação, estamos dando ênfase excessiva ao treinamento técnico e especializado, em detrimento do treinamento para o pensamento crítico”, observa o físico. “Ela preconiza que estudantes devem ser apresentados ao processo científico como ele é: com suas limitações e potenciais equívocos, assim como com seus aspectos divertidos, as descobertas por acaso (serendipidade) e alguns fracassos hilários.”

Ouça mais no áudio acima.

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