Comissão Nacional da Verdade cumpriu papel de rastrear dados sobre os desmandos da ditadura

Pedro Dallari avalia os dez anos de criação da Comissão Nacional da Verdade e destaca a importância da investigação de acontecimentos criminosos durante o período em que os militares estiveram no poder

 Publicado: 18/11/2021
“O Brasil tem uma imagem muito ruim do ponto de vista internacional pela falta de ação em relação aos eventos do período da ditadura militar” – Foto: Acervo Estadão

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, o professor Pedro Dallari, do Instituto de Relações Internacionais da USP, comenta sobre os dez anos da criação da Comissão Nacional da Verdade, da qual foi coordenador e relator. A Comissão, que se prolongou até dezembro de 2014, buscou apurar graves violações de direitos humanos durante o período da ditadura militar no Brasil.

Inicialmente, Dallari fala sobre as recomendações propostas pela Comissão ao governo brasileiro para evitar que violações como essas voltem a ocorrer no País. Poucas sugestões foram realmente implementadas, o que, para o professor, se deve a uma política recorrente do governo brasileiro em se manter alheio aos acontecimentos do passado. “O Brasil tem uma imagem muito ruim do ponto de vista internacional pela falta de ação em relação aos eventos do período da ditadura militar”, explica.

O professor indica que, como consequência, uma cultura de valorização da ditadura acabou sendo preservada. “Posições mais reacionárias, que haviam ficado em segundo plano no período da redemocratização, emergiram para o protagonismo com a vitória do presidente Bolsonaro, que assumidamente defende a ditadura militar. Isso vem do fato de que não se fez o combate efetivo àquelas posições”, diz Dallari.

Por fim, o professor destaca a importância da Comissão Nacional da Verdade, que, embora não tivesse poder de julgar ou condenar os responsáveis por torturas e mortes durante a ditadura, realizou um significativo levantamento de dados sobre as transgressões em tal período. Tais informações, que detalham nomes de executores, locais e vítimas, estão hoje disponíveis publicamente na internet.


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