Combater a discriminação de pessoas com deficiência intelectual e múltipla é dever da sociedade

Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, João Monteiro de Pina Neto alerta que mulheres devem evitar medicamentos e drogas durante a gestação

 26/08/2021 - Publicado há 3 meses
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A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla quer combater o preconceito e a discriminação vividos pelo portador dessas deficiências – Foto: Freepik

 

Celebrada anualmente de 21 a 28 de agosto, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla reforça a necessidade de inclusão social dessa parcela da população, fato que, segundo João Monteiro de Pina Neto, professor do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ainda demanda conhecimento, compreensão, respeito, cuidado e atenção de toda a sociedade.

É que a instituição desta Semana, dada pela Lei N° 13.585 de 2017, além de incluir, quer combater o preconceito e a discriminação vividos pelo portador dessas deficiências. Mas, como informa Lindinalva Gomes dos Santos, através da experiência com sua filha Thainá, muito ainda precisa ser feito, sobretudo na educação que, segundo Lindinalva, deve ser mais bem estruturada, com profissionais preparados e dedicados. A falta desses requisitos, conta, impediu o prosseguimento de Thainá na escola.

A jovem sofre de deficiência múltipla por uma paralisia cerebral sofrida durante o parto, quando teve falta de oxigênio. Hoje, com 24 anos, Thainá necessita de cadeira de rodas para locomoção, apresenta dificuldade de coordenação motora e utiliza prancha de comunicação para expressar-se, pelo comprometimento da fala. Sua alimentação é feita, há dez anos, apenas por sonda e recebe acompanhamento de fonoaudióloga, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.

Apesar de todas as limitações, Lindinalva descreve a filha como uma pessoa muito inteligente, que “transmite um sorriso maravilhoso, consegue responder a sim ou não balançando a cabeça e também conhece os números e as cores”. A vida com Thainá é muito feliz, diz a mãe, que só tem um desejo para o futuro da filha: “Que as coisas que ela tem no coraçãozinho dela, na mente dela, que ela deve pensar, que se realizem, que Deus abençoe ela bastante”.

O que é a deficiência intelectual e a deficiência múltipla

Segundo o professor Pina Neto, as deficiências intelectuais são caracterizadas por lesões no cérebro que acontecem em nível leve, quando a pessoa tem “problema de aprendizado,” ou grave e severa, que, além de comprometerem fortemente a aprendizagem, podem acometer também “a parte física e a parte sensorial”, causando problemas de mobilidade ou perda de visão e audição. Já na deficiência múltipla, informa, outras deficiências, como a visual, auditiva ou de locomoção são acrescentadas à intelectual. Um exemplo, segundo o especialista, são as paralisias cerebrais.

 

O tratamento das deficiências intelectuais e múltiplas deve se basear na doença causadora da condição – Foto: Wikimedia Commons

 

Essas doenças podem atingir, nos mais diversos níveis, parcela significativa da população, já que, segundo o Censo Demográfico 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 45 milhões de pessoas afirmaram possuir pelo menos uma deficiência. Ainda de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2013: Ciclos de Vida, também do IBGE, 0,8% da população declarou ter deficiência intelectual no Brasil.

Diagnóstico e tratamento

O professor da USP informa que tanto o diagnóstico quanto o tratamento das deficiências intelectuais e múltiplas devem se basear na doença causadora da condição, que pode ser genética e hereditária ou não. A avaliação deve ser feita caso a caso por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, encontrada, principalmente, nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes).

As causas e formas de prevenção dessas deficiências, afirma Pina Neto, devem ser disponibilizadas para toda a população. De forma geral, a “adesão da pessoa ao pré-natal e uma abstenção total do uso de drogas, principalmente do álcool e do fumo na gravidez”, podem prevenir a deficiência intelectual e múltipla. O professor também alerta para os riscos do uso de medicação durante a gravidez sem orientação médica e, ainda, para o controle da prematuridade. Outro alerta do especialista é quanto à gravidez tardia – mulheres acima de 35 e homens de 45 anos -, que aumenta os riscos de deficiências à prole.


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