Ciência é relevante para decisões políticas e de cidadãos

Coordenadora do Pint of Science, festival que leva ciência a bares, afirma que divulgação científica é importante para a sociedade

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jorusp

Levar pesquisadores a diferentes locais para conversas descontraídas sobre pesquisas e ciência é o objetivo do Festival Pint of Science, que começa hoje em mais de 80 cidades brasileiras. Além do Brasil, outros 23 países participam da ação. A ideia é derrubar intermediários entre o cientista e a sociedade, estabelecendo um canal direto de conversa.

O evento foi trazido para o Brasil em 2015, pela jornalista Denise Casatti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP). O piloto em São Carlos foi feito com dois bares e temas de computação e matemática. “E deu super certo. Os bares lotaram. O pessoal pediu mais”, conta Natália Paternak, coordenadora nacional do festival de divulgação científica. Ela conta que o crescimento do festival foi impressionante.

Em 2016, a iniciativa se ampliou e teve a primeira edição nacional, com sete cidades. Natália entrou na organização no final de 2015, nesse contexto de preparo do festival. “Foi uma aposta muito grande. O pessoal ainda estava meio receoso, os donos dos bares também… ‘Mas como assim cientista? Será que isso vai trazer publico?’…. mas foi um sucesso.” Em 2017, foram 22 cidades. “E aí o festival já começa a ganhar corpo, a ficar conhecido. Os donos dos bares já não estão com medo, já querem o festival porque sabem que a gente leva público”, comenta Natália. Em 2018, 56 cidades. E neste ano são 85 cidades.

Em 2017, público lota bar em Goiânia – Foto: Divulgação/Equipe Pint of Science Goiânia

“A importância da divulgação ficou finalmente patente quando as pessoas perceberam que decisões importantes são tomadas por governos e cidadãos, baseadas no que elas sabem de ciência, ou no que elas não sabem. A importância da divulgação começou a crescer”, afirma a coordenadora nacional do Pint of Science.

A experiência não é enriquecedora apenas para o público, mas para o pesquisador também. Falar no bar é muito diferente de fazer palestra no Congresso, de falar para os seus pares, para os seus alunos. Natália explica: “No bar, o próprio ambiente seleciona: você tem que ser mais interessante do que o chopp, a batata frita e a conversa da mesa. Se você não for mais interessante, as pessoas vão começar a conversar entre elas e vão esquecer de você”. Outro ponto relevante é que os pesquisadores não falam apenas dos temas em que eles trabalham diretamente. “A gente encoraja que eles falem de assuntos mais gerais e de interesse da população. A gente tem professores de física que têm projetos superespecíficos, mas eles vão no bar para falar de buraco negro, porque a gente tem um interesse da população por esse tema.”

O Pint of Science, que acontece de 20 a 22 de maio, tenta cobrir todas as áreas do conhecimento. Desde as ciências duras, até artes, humanidades. “A gente realmente não tem restrição para áreas do conhecimento, da ciência. A nossa única exceção é picaretagem”, afirma a cientista. O festival é aberto para o público em geral. “Com certeza todo mundo. E, principalmente neste ano, fica um convite muito especial para os membros do Executivo e para os nossos parlamentares. Não tem desculpa: existe um Pint of Science perto de você. São 85 cidades. Por favor, estou convidando todos para que vejam a balbúrdia que a gente faz dentro da Universidade e institutos de pesquisa.”

 


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