Cidade no Espírito Santo testa meia-dose em modelo de vacinação contra covid-19

Segundo Max Igor Banks, já foi visto em grupos menores que as meias-doses produzem anticorpos nos vacinados, só que nunca foi avaliado esse tipo de vacinação numa população maior e dessa forma

 17/06/2021 - Publicado há 4 meses

 

O modelo foi testado na cidade de Viana, com a participação de toda a população de 18 a 49 anos sem comorbidades – Foto – Pixabay – Fotomontagem/Jornal da USP

Toda a população de 18 a 49 anos, sem comorbidades, foi vacinada contra a covid-19 na cidade de Viana, Espírito Santo. A vacinação em massa faz parte de um estudo com a aplicação de meia-dose da vacina AstraZeneca. As doses, que foram aplicadas nos 79 mil habitantes, contém metade do vetor viral utilizado normalmente na fórmula da vacina. A vacinação ainda acontece em duas etapas: a primeira com a meia-dose, possuindo uma quantidade menor do imunizante, e a segunda com a dose normal. 

“A vacina foi desenvolvida naquilo que estava programado, a dose normal, mas ficou a dúvida se essa dose menor não poderia ser usada”, comenta Max Igor Banks, infectologista responsável pelo Hospital de Reinfecção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. Segundo ele, a relação entre dose e efeito com as vacinas não funciona igual à ministração de remédios. Segundo Banks, essa lógica de dose e efeito pode ser vista na aplicação de doses iguais de adultos e crianças da mesma vacina, uma vez que peso e tamanho não interferem na dose do imunizante. “Por isso, é razoável pensar que essa dose pela metade funcione. Para isso se propõe o estudo”, diz o médico, e completa: “As vantagens disso seriam enormes, duplicando a capacidade de vacinação”. 

A pesquisa gira em torno da eficácia desse modelo de vacinação. De acordo com Banks, já foi visto em grupos menores que as meias-doses produzem anticorpos nos vacinados, só que nunca foi avaliado esse tipo de vacinação numa população maior e dessa forma. 

O estudo utilizará como critério de exclusão pessoas com comorbidades e acima de 49 anos, uma vez que elas já estão aptas, de acordo com o calendário de vacinação, para receber outras vacinas. Banks destaca também a estrutura de vacinação utilizada pelo estudo, que vacinou cerca de 79 mil pessoas em um único dia. Segundo ele, a vacinação se assemelhou com a organização de uma eleição, com os participantes indo receber a dose nas respectivas seções eleitorais. Essa organização demonstra a capacidade de vacinação que poderia ser utilizada, completa. 

E complementa dizendo que a vacinação não bloqueia totalmente a transmissão e circulação do vírus, uma vez que tanto o estudo quanto a campanha de vacinação desconsideram adolescentes e crianças. “Como vai ser essa realidade, você só consegue se aproximar dela fazendo esses estudos, tentando mostrar, na prática, como aconteceria”, afirma Banks.


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