China suspende importação de frango brasileiro sem notificação oficial

Aline Silva comenta que o país justifica a medida alegando que uma asa de frango importada do Brasil testou positivo para coronavírus, mas observa que essa questão pode ser meramente comercial

A China diz que uma asa de frango congelada, importada do Brasil, testou positivo para coronavírus e, com isso, vem suspendendo a compra em frigoríficos do País. A empresa responsável pelo alimento contaminado realizará testes em 11 mil funcionários e o governo ainda aguarda mais informações. Para saber mais sobre a segurança dentro dessa cadeia produtiva, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Aline Silva Mello Cesar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.

Ainda não houve uma notificação oficial vinda de autoridades chinesas nesse caso. A professora indica que as indústrias brasileiras já adotam os cuidados necessários com higiene e seguem todas as normas para exportação: “A indústria tem um protocolo de monitoramento em relação a seus funcionários e todas as linhas de processamento, e isso é seguido rigidamente. Com a ausência de uma notificação oficial, fica a dúvida se essas questões não são meramente comerciais”.

A principal preocupação com a cadeia produtiva é que, além de infectar os funcionários, que lidariam diretamente com as carnes contaminadas, não se pode descartar a possibilidade de o vírus chegar ao consumidor final, considerando não somente o consumo do alimento sem cozimento adequado, mas também o contato com embalagens e superfícies não higienizadas. “Os funcionários de frigoríficos e também de transporte dessas cargas devem ter cuidados com prioridade até o produto chegar ao consumidor final. Embora abranger toda a cadeia não seja algo fácil em termos de rastreabilidade, inclusive, existem orientações que podem ser seguidas para evitar esses tipos de caso”, opina Aline.

A especialista comenta que os programas de rastreabilidade que já existem no Brasil são satisfatórios, mas poderiam ser mais eficientes, e que a pandemia de covid-19 forçará uma melhor adaptação e estruturação da rastreabilidade desses produtos, oferecendo maior segurança para o consumidor final e também para a própria indústria. Ela também ressalta que não há casos em todo o mundo nos quais a covid-19 foi transmitida por alimentos de origem animal ou vegetal, mas que a higienização pessoal, de embalagens e de ambientes são muito importantes: “Quando o alimento for consumido cru, ele deve ser muito bem lavado, e quando for consumido cozido, isso minimiza ou até anula os riscos de contaminação. Também não é recomendado usar a mesma superfície para manipular diferentes alimentos, como, por exemplo, usar uma tábua para cortar a carne e depois para fatiar alface ou vegetais, pois isso pode causar contaminação cruzada por qualquer micro-organismo”.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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