Chegada do homem à Lua foi um grande salto para a humanidade

Os professores Glauco Arbix e Amâncio César Friaça relembram os 50 anos da chegada do homem à Lua no “Diálogos na USP”

“Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.” Com essa frase, dita pelo astronauta Neil Armstrong, assim que tocou o solo lunar, os Estados Unidos podiam dizer que acabavam de ganhar a corrida espacial disputada com a então União Soviética. Mas a chegada à Lua, no dia 20 de julho de 1969, há exatos 50 anos, foi muito mais do que uma vitória americana, graças à missão muito bem-sucedida da Apolo 11.

A chegada do homem à Lua elevou o nível da ciência feita no mundo até então, inspirou carreiras e mostrou que o espaço era uma fronteira que poderia ser vencida. Graças ao Projeto Apolo, o desenvolvimento científico e espacial ganhou novos contornos. Sem ele, não haveriam os ônibus espaciais, missões a Marte e às profundezas do espaço e o telescópio Hubble.

Mas o que de fato representou a chegada do homem à Lua? O que, meio século depois, ainda ecoa daquela frase icônica de Armstrong? Qual futuro ela inspira?

Para falar sobre os 50 Anos do Homem na Lua e o seu legado, o Diálogos na USP recebeu os professores Glauco Arbix, sociólogo, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que integrou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) – 2007-2011, e Amâncio César Friaça, astrofísico, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG), com ênfase, entre outros temas, em cosmologia, evolução de galáxias e meio intergalático.

Glauco Arbix relembrou a emoção proporcionada pelo acontecimento, ainda que não tenha conseguido acompanhar pela televisão: “O choque da chegada do homem à Lua é muito forte, isso é muito vivo na cabeça da gente”. Além dos sentimentos, o professor relembrou o avanço tecnológico que o evento representou. “É uma expansão dos limites humanos que pouca gente viveu na dimensão que foi”, disse Arbix.

Amâncio Friaça destacou que a chegada do homem à Lua demonstrou “o quão pouco a gente acreditava na humanidade”. A chegada no satélite era desacreditada por grande parte da população, sendo que ainda hoje podemos observar grupos que argumentam que a viagem foi uma invenção da Nasa. Desta forma, a chegada à Lua seria não apenas um grande salto tecnológico, mas também filosófico. “O fato de o homem ter chegado ao espaço representa a libertação de amarras das quais ele já tinha pensado em se livrar há muito tempo”, afirmou Friaça.

Arbix ressaltou que os avanços científicos vão se comercializando ao longo do tempo, e que algo semelhante parece estar acontecendo com o espaço, sendo que várias empresas estão desenvolvendo programas de turismo espacial. “O problema é que, a partir do momento em que essa situação se consolida, entra-se numa fase mais comercial. Isso coloca perguntas para as quais não temos respostas. De quem é a Lua? É de quem chegou primeiro?”, indagou o professor.

Friaça disse acreditar que as viagens espaciais são viáveis, ainda que “talvez não numa escala de tempo tão curta quanto a gente pense”. O professor também se demonstrou preocupado com uma desigualdade nas viagens espaciais. “O Blue Origin, empresa do Jeff Bezos, se propõe a colocar milhões de pessoas no espaço. Mas no final serão os privilegiados que irão, o que lembra a história do Blade Runner, na qual há uma comunidade mais abastada que conseguiu sair da Terra e o planeta fica no desastre ecológico”, disse Friaça.

Acompanhe a íntegra do programa pelos links acima.

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