Chances de Angela Merkel se reeleger na Alemanha são altas

Eleições para parlamento alemão acontecem em meio à crise migratória e ausência do Reino Unido na União Europeia

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A chanceler alemã, Angela Merkel – Foto: Moritz Hager/World Economic Forum

As eleições na Alemanha são o tema do programa Diálogos na USP desta semana. Neste domingo, 24 de setembro, candidatos de 42 partidos políticos entram na disputa por uma cadeira no parlamento alemão, o Bundestag. A votação decidirá quem serão os futuros deputados federais do país, os quais, entre suas tarefas, terão de escolher quem assumirá a chefia do governo alemão na próxima legislatura. A Alemanha tem cerca de 81 milhões de habitantes, dos quais 61,5 milhões estão aptos a votar (maiores de 18 anos) e, destes, aproximadamente 3 milhões votarão pela primeira vez.

A chanceler alemã Angela Merkel, da União Democrata Cristã (CDU, sigla em alemão) e seu concorrente Martin Schulz, do Partido Social-Democrata (SPD), seguem à frente da disputa. Além desses partidos, outros com representação no Bundestag são a União Social Cristã (CSU), a Aliança 90/Os Verdes (ou simplesmente Partido Verde), e A Esquerda.

Para comentar o assunto, foram convidados Brigitte Weiffen, professora visitante do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e Kai Enno Lehmann, docente do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da mesma universidade.

Kai Enno Lehmann, Brigitte Weiffen e Marcello Chami Rollemberg, no Programa Diálogos na USP – Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Apresentado por Marcello Rollemberg, o programa começou debatendo sobre como funcionam os sistemas eleitoral e de governo alemão — comparando-os com os de outros países da Europa e do mundo —, e abriu espaço para a discussão de questões políticas e econômicas da Alemanha, como a inexistência de uma polarização política determinada, como ocorre, por exemplo, no Brasil. O que não significa a inexistência de questões controversas no país, como afirmaram os convidados, ao lembrarem da existência do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AFD), que defende uma cota anual de deportações e fechamento de fronteiras alemãs para imigrantes.

A questão da crise migratória, aliás, foi outro tema bastante discutido no programa. A favorita para ser escolhida pelo Bundestag para o cargo de chefe de governo, Angela Merkel, terá de enfrentar esse tema espinhoso, tanto domesticamente quanto no espectro da União Europeia (UE); uma “questão séria” para o país, como qualificou Brigitte. Além da questão migratória, Merkel — que comanda a Alemanha há 12 anos — terá de lidar com a ausência do Reino Unido na UE e com uma participação não tão ativa do chefe de governo da França, Emmanuel Macron, que neste momento tem de lidar com a “agenda doméstica”, segundo lembrou Enno.

Merkel, que para Enno possui uma “dominância no cenário político da Alemanha e Europa, até maior que Schröder (Gerhard Schröder, antecessor)”, provavelmente vai se reeleger como chefe de governo em uma Alemanha com um PIB crescendo a 2% e com o nível de desemprego mais baixo desde os anos 1980, mas assumiria o cargo com uma popularidade não tão grande como em tempos anteriores. “Há uma mudança em curso e, pensando um pouco para frente, imagino que este seja o último governo Merkel. Aí, as cartas vão mexer e veremos quem poderá surgir para substituí-la”, afirmou Enno. Ele foi endossado por Brigitte, que acrescentou que falta a Merkel “um projeto, uma ideia”, e que ela, em certos momentos, age segundo as “tendências da população” quando se trata de tomar decisões políticas importantes.

Confira detalhes sobre as eleições na Alemanha e o contexto econômico e político do país, nos áudios acima.

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