Causa de câncer no fígado está relacionada com a obesidade

Gordura no órgão surge como um fator emergente que causa o câncer; especialista alerta para hábitos da sociedade

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Um congresso promovido pela American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD), nos Estados Unidos, reuniu especialistas da América do Norte, Europa, Ásia e África. A associação é uma das principais organizações de cientistas e profissionais de saúde comprometidos com a prevenção e cura de doenças do fígado, em todo o mundo. Durante o encontro, especialista da Faculdade de Medicina da USP apresentou um panorama geral da incidência e tratamento do carcinoma hepatocelular (câncer de fígado) na América Latina. O estudo relata novos conhecimentos sobre os mecanismos de coagulação em pacientes com cirrose e infecção e tem um elevado potencial de contribuir para modificar as recomendações atuais de prevenção de trombose nesses pacientes.  

Quem apresentou o cenário do câncer do fígado na América Latina foi o professor Flair Carrilho, do Departamento de Gastroenterologia e diretor da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Ao Jornal da USP No Ar, o especialista disse que, no ambiente estudado, a primeira causa de  incidência dos casos é por conta da hepatite C, seguido de ingestão de bebidas alcoólicas, vírus da hepatite B e a presença de gordura no fígado. Quando se trata de Brasil, os tópicos causadores mudam, dependendo do grupo de pessoas analisados. “O álcool aqui é a causa terceira. Mas existem alguns bolsões em que o álcool passa a ser a mais importante como, por exemplo, no Espírito Santo e em áreas do oeste do Paraná.”

O acúmulo de gordura no fígado pode desencadear o carcinoma hepatocelular e está relacionado a um outro problema de saúde presente na sociedade latina: a obesidade. O professor ressalta que o risco, para essas pessoas, é bem maior e explica o porquê da gordura no órgão resultar em complicações. “Só ela no fígado não teria problema. Mas a gordura pode sofrer com uma alteração e, então, começa a produzir uma hepatite pela própria gordura. Se chama esteato-hepatite não-alcoólica e pode desenvolver fibrose e, em seu nível máximo, a cirrose hepática. Com a fibrose e a cirrose, aumenta o risco do carcinoma hepatocelular.”

Atualmente, existe forma de tratamento para a doença. Contudo, quando se trata da saúde pública, apenas 9% dos casos recebem uma oferta de tratamento curativo. “No Brasil, cerca de 9 mil pacientes por ano são atendidos no SUS e a maioria está recebendo cuidados paliativos. Como sabemos quem é a população de risco, existe como detectar precocemente, ou seja, realizar o diagnóstico ainda em sua fase inicial, que é quando nós podemos oferecer o tratamento curativo”, diz o doutor Carrilho. Uma das propostas de solução é o transplante de fígado. “Não só trataria o câncer, como também a doença de base do fígado, que é a cirrose”, afirma o professor. Mas o melhor a se fazer é evitar a doença e seu avanço. Por isso, a ida ao médico, a realização de exames e hábitos mais saudáveis são indispensáveis. 

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