Casos de inflamação da traqueia pós-intubação crescem no Brasil

A estenose traqueal pode ser consequência da falta de cuidados adequados com a intubação de pacientes

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Após serem submetidos à intubação e ventilação mecânica, pacientes podem sofrer estenose traqueal, como sequela após a intubação, consequência da falta de cuidados adequados com a confecção e manutenção da traqueostomia. Com o intuito de tratar e prevenir essas lesões, surge o Grupo de Traqueia e Vias Aéreas da Divisão de Cirurgia Torácica do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, coordenado pelo cirurgião torácico Paulo Cardoso.

Pacientes que sofreram traumatismo craniano, trauma torácico ou trauma de múltiplos órgãos são constantemente intubados para a recuperação. O cirurgião explica que, com o aumento das cidades, os acidentes têm se tornado mais frequentes e, consequentemente, a necessidade de intubação, que muitas vezes pode culminar no estreitamento da via aérea central – a estenose traqueal.

A obstrução da via acontece por conta de uma inflamação local, que ocorre principalmente pela agilidade com que o processo de traqueostomia precisa ser realizado. A estenose geralmente acontece após os pacientes terem recebido alta e voltarem a procurar atendimento médico por conta da inflamação traqueal. O InCor recebe entre 50 e 60 pacientes por semana.

Por conta disso, o propósito do Grupo de Traqueia e Vias Aéreas é desenvolver processos específicos para atender os pacientes com esse tipo de lesão. De acordo com Paulo Cardoso, a questão mais importante é a prevenção desses casos, que pode ser feita através da medição de pressão do balonete do tubo, da higiene oral e das vias aéreas para diminuir a proliferação bacteriana e através da confecção da traqueostomia definitiva, após a cirurgia de emergência (cricotireoidostomia), que, se não realizada, pode acarretar na estenose da traqueia e até da laringe em casos mais graves.

O tratamento de pacientes que apresentam essa forma de lesão é longo e a falta de atendimento pode levar à dificuldade de fala e de deglutição. Nesse sentido, um ambulatório está sendo desenvolvido no Hospital das Clínicas para o tratamento dos pacientes que sofreram a inflamação.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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