Carreiras do futuro permitem intersecções e migrações entre áreas

Especialista explica por que o termo “profissão” perdeu espaço para o conceito de “carreira”

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O Escritório de Desenvolvimento de Carreiras (Ecar) da USP, ligado à Pró-Reitoria de Graduação da Universidade, tem colaborado para a viabilização dos ideais de carreira e vida dos alunos, transformando trajetórias profissionais em experiências enriquecedoras para eles e para a sociedade. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Tania Casado, diretora do Ecar e membro titular da Comissão de Ética em Pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, falou sobre as carreiras do futuro.

Ela explica que hoje o termo “profissão” perdeu espaço para “carreira”, que, conceitualmente, é a sequência de experiências pessoais de trabalho ao longo do tempo. Ou seja, a carreira é muito centrada no indivíduo. Os profissionais precisam saber que devem  partir do seu autoconhecimento. Qualquer tipo de trabalho, incluindo o voluntário, conta como experiências pessoais na construção da carreira. O curso de formação, segundo ela, é só o início. Todas as mudanças tecnológicas fazem com que surjam novas oportunidades e também obsolescências de outras áreas. Por isso, a necessidade de pensar em carreiras e não em profissões.

O Ecar começou uma pesquisa para falar das tendências nas áreas de possibilidades de atuação profissional. A metodologia parte de algumas ideias discutidas com especialistas. A fase a seguir é a de coleta, que será feita com todas as áreas de aplicação. Depois, começa a discussão dos temas iniciais que foram levantados. Até então, já são nove as áreas de possibilidade: saúde, tecnologia de informação, segurança, educação, entretenimento, socioambiental, infraestrutura de mobilidade, energia e ética. A especialista comenta a possibilidade de intersecção entre as áreas, como, por exemplo, juntar saúde e TI, obtendo novos processos de diagnósticos e possibilidades de usar novas técnicas na saúde da população. É possível cruzar grandes áreas e investir nisso.

Ela comenta a importância de continuar estudando, não apenas no ensino tradicional (curso técnico ou superior), mas buscando aprimoramento constante. É necessário estar atento às mudanças que estão acontecendo na área de atuação e em possíveis áreas de migração. “Nem sempre as pessoas estão preparadas, mas hoje nós podemos transitar entre áreas”, afirma Tania Casado. Além da atualização constante, também é importante para o profissional trabalhar em algo que faça sentido para ele.

A professora destaca ainda a necessidade das redes de “relacionamento”, redes sociais de desenvolvimento da carreira, que vão ajudar a trafegar entre várias áreas e a encontrar oportunidades de atuação. As redes são feitas com três pontos: reputação, que começa dentro da sala de aula, respeito entre os membros daquela rede e reciprocidade, ou seja, receber, mas também oferecer.

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