Capitalismo de laços é negativo para sociedade

A expressão “capitalismo de laços” designa a própria história do Brasil, baseada na concentração econômica e política

Na coluna Reflexão Econômica desta semana, o professor Luciano Nakabashi comenta o termo “capitalismo de laços”, cunhado pelo professor de Administração Sergio Lazzarini em 2010. Para Nakabashi, trata-se de uma relação negativa entre o setor privado e o setor público, que resulta na criação de monopólios com grande poder econômico, influentes e favorecidos pelo governo, o que os torna cada vez mais fortes.

Quando existe monopólio de mercado – poder econômico concentrado nas mãos de poucas empresas – a economia classifica esse fato como uma falha, pois gera ineficiência no mercado em decorrência de preços excessivamente altos quando comparados aos que possuem maior concorrência. Nakabashi argumenta que, na presença da concorrência, “a tendência é a empresa  melhorar o serviço e baixar os preços, o que é melhor para a sociedade”.

Mas assegura que “o capitalismo de laços” é uma condição em que existe concentração econômica e política e que, no Brasil, perdura desde o início de sua história. O professor defende que a função do governo é servir à população, mas quanto mais capturado estiver pelo setor privado e quanto mais atende a grupos de interesses, deixa a parcela menos favorecida da população de lado.

“O capitalismo de laços deve ser combatido, até para reduzir a corrupção”, afirma, acrescentando que é preciso haver agências com poder e independência de governos e de empresas para regular fusões e aquisições empresariais e, ainda, qualquer ação que provoque o aumento da concentração de mercado.

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