Câncer agressivo de pele pode começar ainda na fase embrionária

No Brasil, a alta incidência deste tipo de câncer também tem como fator a composição da população

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Quase um terço de todos os tumores malignos registrados no Brasil estão relacionados ao câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 180 mil novos casos da doença são relatados por ano no País. Para falar sobre o avanço, as causas e a prevenção desse tipo de câncer, o USP Analisa desta semana traz o professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP Roger Chammas.

Segundo o docente, a alta incidência do problema tem relação com a própria composição da população brasileira. “O Brasil é um país de imigrantes. Na realidade, temos grande número de italianos e alemães que vieram para o Brasil, indivíduos cujas famílias foram selecionadas ao longo de milênios para um regime de radiação muito mais baixo do que aquele que a gente tem aqui no Brasil. À medida que essas pessoas de pele mais clara começam a se expor a um regime de radiação solar mais intenso, começa a haver problemas com o aparecimento de lesões como os cânceres”, conta.

Ele explica ainda que o melanoma cutâneo, um tipo bastante agressivo de câncer de pele, está relacionado a uma célula que desenvolvemos ainda na fase embrionária: o melanócito. “Essa célula foi programada na embriogênese para sair do tubo neural e ir para o corpo todo, por isso tem um potencial migratório muito grande. Durante o processo de formação do câncer, as células vão perdendo suas barreiras e recapitulando o que sempre fizeram do ponto de vista embriológico. Tanto o melanócito quanto o melanoma têm a capacidade de migrar. E essa migração implica na capacidade de invadir tecidos e sobreviver neles. É isso que caracteriza a agressividade de qualquer câncer”, diz Chammas.

O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Ouça a entrevista na íntegra no link acima.

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