Brasileiros não vacinados ampliam disseminação de sarampo

Cenário também é composto de refugiados que sofrem com a falta de cobertura vacinal contra a doença na Venezuela

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A Federação Internacional da Cruz Vermelha alerta sobre o aumento do risco de mais doenças como sarampo, disenteria e tuberculose nas Américas, na medida em que cresce a crise migratória na região. Para comentar o assunto, o Jornal da USP no Ar contatou a professora Marta Heloisa Lopes, do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Centro de Imunizações do Hospital das Clínicas.

Para a especialista, o problema é complexo. Grande parte dos refugiados não recebeu atendimento às necessidades básicas em seu país de origem, como serviços de saúde, situação particular de uma parte da população da Venezuela, o que permitiu a reintrodução do sarampo no Brasil. O caso se torna alarmante por conta da parcela de brasileiros não vacinados adequadamente contra o vírus e que, portanto, estão suscetíveis à doença, mesmo que ela seja controlada no País, explica a professora. Dessa forma, o contágio é ampliado.

Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo/Centro de Saúde Barão Geraldo – Foto: Carlos Bassan via Fotos Públicas / CC BY-NC 2.0

A Campanha Nacional de Vacinação contra Sarampo e Poliomielite, realizada pelo governo, foi uma medida tomada a fim de controlar a situação. Porém, Marta afirma que o risco de contágio não se reduz apenas à população venezuelana; outros locais, como parte da Europa, África e países do Oriente também possuem casos de sarampo. Por isso, a professora ressalta a importância da vacinação adequada e geral, que oferece uma forma de proteção para os brasileiros, impedindo a circulação e reintrodução do vírus.

Além disso, segundo a coordenadora do Centro de Imunizações, é possível a construção de uma ação em conjunto entre os países. A Organização Pan-Americana de Saúde é o órgão responsável por intermediar esse tipo de relação, o que pode resultar no aumento da cobertura vacinal de sarampo na Venezuela e no acolhimento e atendimento qualificado dos refugiados no Brasil.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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