Brasil tem que se estruturar para desenvolver Inteligência Artificial

Evento discute a tecnologia que simula capacidade humana de raciocínio e interação frente à sociedade

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jorusp

A Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, com apoio da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), realizam o workshop Inteligência Artificial e suas Aplicações: Avanços e Tendências. Os objetivos do encontro são intensificar a interação com entidades públicas e privadas interessadas na área, tanto em projetos quanto na formação de recursos humanos, além de estimular uma maior integração dos grupos de pesquisa em inteligência artificial da universidade, incentivando colaborações.

“A área do conhecimento chamada Inteligência Artificial (IA) existe há uns 60 e tantos anos, obras de ficção científica levantam a questão há séculos”, afirma o professor Fábio Gagliardi Cozman, do Departamento de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica (Poli) e coordenador do evento. Publicado em 1950, o artigo de Alan Turing sobre computadores e inteligência procurou responder a pergunta: “Máquinas podem pensar?”. Em suas respostas, deixou as pistas para o surgimento do campo de estudos da IA. Desde então, o tema ganhou cada vez mais espaço em nosso cotidiano. 

Ilustração: GDJ / Pixabay via Wikimedia Commons / CC0

“Nos últimos dez anos, algumas tecnologias frutificaram, seja no reconhecimento de imagens ou no processamento de linguagem natural, e a sociedade reconheceu seu potencial”, conta o engenheiro. Ele explica que são sistemas artificiais que simulam a capacidade humana de raciocínio, interação e negociação. No Brasil, o agronegócio é particularmente bem-sucedido na aplicação da IA. Fora o agronegócio, “o sistema bancário e financeiro é bastante ágil e está na fronteira do que usa de inteligência artificial no mundo”, diz Cozman. A exploração de petróleo e gás natural, bem como a área da saúde, também têm um grande potencial a ser explorado, conforme o professor. “O Brasil como sociedade tem que se estruturar para receber a tecnologia da melhor maneira possível. O pior cenário possível é não se adaptar e ter que comprar o conhecimento de países investindo forte, como Estados Unidos, China e os membros da União Europeia”, esclarece.

O evento contará com cinco mesas com enfoque nesses campos estratégicos para aplicação da Inteligência Artificial. O objetivo é falar das aplicações para além do senso comum. “Antigamente, bancos utilizavam IA para prever índices como variação de bolsas de valores e inflação. Hoje, se usa para lidar diretamente com o cliente, por meio de chatbots e outras ferramentas”, exemplifica Cozman. Agricultura de precisão, decisões logísticas, cálculos de riscos já são aplicações reais. No campo da saúde, a maior complexidade e o grande número de atores ainda limitam a implementação da tecnologia, ainda que ampliem seu potencial.

Enquanto isso, as humanidades estudam os desdobramentos da IA sobre o mercado de trabalho e seus aspectos éticos. “O que um carro autônomo pode ou não pode fazer?”, pergunta o engenheiro. Para acompanhar todos esses assuntos, acesse a página do evento e se inscreva. O IEA disponibilizará transmissão do workshop ao vivo, também no link.


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