Brasil registra altos índices de violência contra crianças e adolescentes

Mariana Chies Santos comenta pesquisa da Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que elenca a ocorrência de 7 mil assassinatos e 45 mil estupros de crianças e adolescentes por ano

 Publicado: 23/11/2021
A  pandemia  influenciou na alta dos índices de estupros e abusos, segundo Mariana Chies Santos – Foto: Frasco Brasil

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, a pesquisadora Mariana Chies Santos, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, comenta sobre a recente pesquisa Panorama da Violência Letal e Sexual Contra Crianças e Adolescentes no Brasil, lançada pela Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Seus dados revelam que o País tem, em média, 7 mil assassinatos e 45 mil estupros de crianças e adolescentes por ano.

Mariana destaca que a maioria dos adolescentes assassinados no Brasil é de meninos negros, com idades entre 15 e 19 anos. A violência sexual, por sua vez, acomete principalmente meninas de até 13 anos de idade. Segundo a pesquisadora, a pandemia também influenciou uma alta nos índices de estupros e abusos: “A pessoa que vitima essas crianças é, geralmente, alguém conhecido, então elas correm risco mesmo dentro de casa. Com a pandemia, as meninas ficaram muito tempo sem ir para a escola, e muitas vezes não tinham acesso à internet para contatar algum professor e denunciar a situação”, conta.

Embora a pesquisa não forneça dados sobre a escolarização das crianças e adolescentes vitimizados, Mariana afirma saber por estudos qualitativos na área que a maioria deles não teve acesso a direitos básicos. “Desde a promulgação da Constituinte de 88 e do Estatuto da Criança e do Adolescente, essa parcela da população é considerada prioridade absoluta do Estado brasileiro. A eles deveriam ser fornecidos todos os tipos de políticas sociais”, diz Mariana, que reforça também a importância do ensino dos direitos e da educação sexual nas escolas: “Sem isso, a criança não entende o que está acontecendo dentro de sua própria residência e não tem espaço para denunciar”.

A pesquisadora adiciona que 15% das vítimas de violência urbana foram mortas em decorrência de intervenção policial: “É uma instituição pensada para proteger a população e ela não deveria matar crianças e adolescentes, independentemente do que eles tenham feito”, diz. Por fim, Mariana conclui que a sociedade e instituições públicas devem pensar em maneiras de auxiliar na proteção dessa parcela da população, com o apoio do Estado.


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