Brasil precisa continuar com isolamento social para conter transmissão

Interromper isolamento social para reaquecer economia é “inconsequente”, segundo Oswaldo Yoshimi Tanaka

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– Foto: Divulgação/CeMEAI

 

O novo coronovírus já infectou mais de 2.500 pessoas no Brasil e causou cerca de 60 mortes. Um mês após a confirmação do primeiro caso de covid-19 no País, o Jornal da USP no Ar recebeu o professor Oswaldo Yoshimi Tanaka, diretor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, para analisar as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde frente à pandemia de coronavírus.

O especialista acredita que as atitudes tomadas pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foram corretas e baseadas no conhecimento científico, orientando a população a se isolar socialmente para conter o avanço do coronavírus. Ele explica por que essa medida é indispensável: “A doença é muito transmissível e grande parte dos infectados são assintomáticos, mas continuam transmitindo o vírus. Por isso, a única medida efetiva para diminuir a transmissibilidade é diminuir o contato entre pessoas, uma vez que o vírus já está disseminado. Se não acatarmos o isolamento social, prolongaremos o problema”.

Segundo o professor, o Brasil começou a adotar as medidas cabíveis no tempo certo, e não pode deixar isso de lado neste momento, como foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro em um pronunciamento oficial feito na última terça (24). “Não podemos seguir as recomendações do presidente pensando só no lado econômico, e sim focar em salvar vidas. Apesar das mortes de idosos estarem sendo muito comentadas, os jovens também podem ser infectados e também precisarão de leitos na UTI, porque a doença gera pneumonia e é necessária a oxigenação dos pulmões”, explica o doutor.

Na Itália, as medidas restritivas foram tomadas tardiamente, com intenção de não desacelerar a economia, e agora já registra mais de 7.500 mortes. Tanaka admite que a situação de isolamento total que as cidades italianas estão vivendo pode chegar ao Brasil, caso o número de transmissões não seja controlado: “Temos dados que apontam que só conseguiremos controlar a epidemia quando a taxa de transmissibilidade for de um para um, e não de dois para quatro, como é hoje. Essa proposta de liberar o comércio é irracional, inconsequente e não leva em consideração os riscos à saúde de todos”.

É importante lembrar que não há vacina e não há tratamento para a covid-19, as únicas medidas recomendadas no momento são o isolamento social, a higiene correta das mãos com água e sabão e o álcool em gel quando necessário. O especialista também destaca que “o vírus pode ficar cerca de 3 horas no ar e alguns dias em superfícies, coisas que não são comuns em vírus convencionais, que só sobreviviam em hospedeiros vivos, por isso a atenção deve ser redobrada”.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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