Brasil está perdendo oportunidades de pesquisa do jambu

Para professora, lei de patente é suficiente na proteção de recursos, problema está na falta de investimento

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O jambu e suas propriedades são objeto de pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil, no entanto, perde com a pouca exploração de sua biodiversidade ao mesmo tempo que concede patentes para estrangeiros. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foram impedidos de lançar na indústria uma pomada de uso odontológico feita a partir da substância spilantol, que possui propriedades anestésicas, por conta de patente registrada nos Estados Unidos.

Jambu é uma planta típica da região norte do Brasil – Foto: Wikipédia Commons

A professora Geciane Porto, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, comenta as condições para as concessões dessas patentes. Os EUA, onde a planta não existe, possuem 15 patentes registradas. Na Europa são 34. “Para a biodiversidade brasileira ser estudada, é necessária uma autorização. Existe um processo formal, que vale tanto para pesquisadores nacionais quanto para estrangeiros.”

Segundo ela, é necessária a apresentação de um projeto de pesquisa com a substância química a ser estudada. Para a realização da patente, é preciso uma “atividade inventiva”, na qual o pesquisador faz uma descoberta relacionada à alguma substância da planta e pode pedir autorização para patenteá-la.

“Nós perdemos uma grande oportunidade de fazer pesquisas sobre o jambu” acrescenta a professora. Geciane comenta que o Brasil começou tardiamente a desenvolver pesquisas sobre a planta, apesar do senso comum dos nativos do Norte do País sobre as propriedades da planta. Para a professora, a legislação é suficiente para proteger os recursos naturais do País. O problema está na falta de investimentos em pesquisa.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

 

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