Big Data permite indicar crimes cruzando dados existentes

Marcelo Batista Nery diz que só na região metropolitana de São Paulo são 3 milhões de boletins de ocorrência por ano

jorusp

A complexidade do desenvolvimento das cidades e da gestão urbana exige constantes inovações no campo das políticas públicas. Nesse contexto, o seminário Inovação em Políticas Públicas Urbanas, promovido pelo Programa USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, visa a promover diálogos e reunir experiências sobre a aplicação de novas práticas e tecnologias às políticas públicas urbanas com temas como: big data, mineração de dados, internet das coisas, tecnologia social, segurança cibernética e regulação do uso de dados e de novas tecnologias aplicados à promoção da sustentabilidade urbana.

Marcelo Batista Nery, doutor em Sociologia pela USP, pesquisador coordenador de transferência de tecnologia do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, ressalta a quantidade de informação produzida quando o assunto é segurança. “Só na região metropolitana de São Paulo são mais de 40 mil ligações por dia ao 190, na região metropolitana de São Paulo. Nem todas configuram ocorrência, porém normalmente geram um boletim de ocorrência. No Estado de São Paulo, em 2013 (ano dado como exemplo) foram registrados cerca de 3 milhões de registros por ano. Cada um com informações como gênero e idade da vítima e do autor da infração, modo de operação do criminoso e a natureza do crime (furto, roubo, homicídio, etc.)”, afirma ao Jornal da USP no Ar. Daí a importância de ferramentas para análise de dados.

O especialista aponta as possibilidades de compreensão do cenário brasileiro para melhorar a implementação de políticas públicas de segurança pública, ao se cruzar esses dados. “Com os mais avançados sistemas de análise é possível indicar quais crimes se dão em dado local e momento. Quais as suas características, além de outras variáveis com correlação ao acontecimento”, expõe Nery.

Ele comenta o trabalho desenvolvido por Luis Gustavo Nonato, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP no campus de São Carlos.  “Em conjunto com o NEV, Nonato desenvolve um software de análise e visualização de dados usando big data (manipulação de grande volume de variadas informações em grande velocidade). O sistema possibilitará a visualização dos lugares com maior números de ocorrências, quais são e onde se concentram”, conta o pesquisador.

Nery lembra da importância de se proteger no âmbito virtual. “Hoje, apenas com CPF e e-mail da pessoa, é possível agir criminalmente contra ela. Muitos têm acesso à internet, mas não sabem se apresentar, o que informar nas redes sociais. Isso permite que gente má intencionada pratique ilicitudes. Quando se trata de um dono de empresa, os montantes envolvidos nesses crimes são ainda maiores”, comenta o sociólogo.

Sendo assim, as ferramentas de segurança e encriptação avançam a cada dia, mas também evoluem os criminosos. “Uma prática comum é conseguir as senhas de acesso de uma pessoa e alterá-las. A seguir, começa uma extorsão. A vítima só consegue acesso ao próprio dinheiro seguindo as regras de seu agressor”, afirma Nery.

Com o intuito de gerar mais esclarecimentos em ambos os sentidos o Instituto de Estudos Avançados (IEA), dentro do seminário Inovação em Políticas Urbanas Marcelo Batista Nery será o moderador do painel Inovação e Segurança. Se somarão ao debate o professor Luís Gustavo Nonato; Roberto Gallo, coordenador do Comitê de Segurança e Riscos Cibernéticos da Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes); e, o procurador-geral da Justiça do Estado de São Paulo, Fábio Bechara. O evento será no dia 7 de agosto, das 8h às 17h30. O painel de Nery se iniciará às 14h. Para se inscrever no evento e acessar mais informações clique aqui. A transmissão ao vivo será neste site.

Outras dúvidas: 3091-1678


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