Avanço de imunossupressores traz esperança em transplantes faciais

Procedimento apresenta risco de rejeição como qualquer transplante e ainda está em fase experimental

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Nos EUA, uma jovem de 21 anos se tornou a mais recente receptora de um transplante de face total. Três anos antes, ela disparou um tiro contra o próprio rosto. O transplante começou em maio de 2017. A cirurgia foi financiada pelo Instituto de Medicina Regenerativa das Forças Armadas, do Departamento de Defesa dos EUA. Até agora, foram 42 transplantes de rosto realizados no mundo, o primeiro ocorrido na França, em 2005. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Fábio de Freitas Busnardo, chefe do Grupo de Tumores Cutâneos da disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, falou sobre o procedimento e seus riscos.

O professor esclarece que cirurgia reparadora faz parte do dia a dia do cirurgião plástico, que trata deformidades congênitas causadas por traumas ou que ocorrem após a retirada de tumores. Em grande parte, essa reparação é possível com tecido ou algum osso de outro segmento do corpo do indivíduo. Entretanto, existem deformidades tão graves que, mesmo com tudo que existe de mais moderno na cirurgia plástica, a reconstrução não fica satisfatória. Para esses casos, existe a possibilidade do transplante de face, ainda em fase experimental. Isso porque, assim como qualquer outro transplante, há a chance de rejeição do órgão. Os pacientes que já fizeram o procedimento ainda estão sendo avaliados para garantir que a cirurgia possa ser aplicada rotineiramente.

Foto: Banco de Imagens do HRAC / USP Imagens

O especialista explica os dois tipos de rejeição: aguda e crônica. Na rejeição aguda, há um processo inflamatório da região. Isso é tratado com o aumento das drogas imunossupressoras, utilizadas para impedir que o tecido seja atacado pelo próprio corpo do paciente. Ele ressalta que sempre se busca trabalhar com o mínimo de drogas possível, já que elas aumentam a suscetibilidade às infecções, ao aparecimento de tumores, hipertensão, etc. Na rejeição aguda, após tratá-la, o paciente volta a receber a dose normal. Entretanto, na rejeição crônica, ocorre uma diminuição da vascularização por essa agressão contínua do sistema imunológico, mesmo com os imunossupressores. A rejeição crônica já levou pacientes transplantados à morte, como Isabelle Dinoire, a primeira pessoa a receber um transplante do tipo.

Para o cirurgião, os imunossupressores já evoluíram muito e continuarão a evoluir. Ele comenta que, nos EUA, já existem alguns protocolos com redução das drogas, em que é possível, de certa forma, minimizar os efeitos colaterais. “Eu tenho a convicção de que, talvez em uma ou duas décadas, com a minimização e o avanço das drogas imunossupressoras, nós vamos ficar mais livres para poder indicar esses procedimentos rotineiramente”, afirma Fábio de Freitas.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

 

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