Avanço da física quântica no País depende de investimentos

Brasil tem lideranças importantes na área, mas precisa de fomento para sair da pesquisa básica

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Investimentos em tecnologias quânticas 2.0 ganham o mundo. Hoje, formam a base para o entendimento de diversos ramos da ciência, como a física nuclear, a química e a ciência dos materiais. Tecnologias essenciais ao nosso dia a dia, como computadores, smartphones, lasers e telecomunicações. Em 2016, a Comissão Europeia anunciou investimento de 1 bilhão de euros em dez anos. E o presidente americano sancionou lei que define computação quântica como uma tecnologia de interesse estratégico para os Estados Unidos. E o Brasil, como está nessa corrida? Para responder a essa questão, o Jornal da USP no Ar entrevistou o professor do Instituto de Física (IF) da USP, Gabriel Landi.

Ele aponta que, por muitos anos, a tecnologia quântica esteve no ramo de ideias, mas que agora existe muito potencial para aplicações práticas, exigindo investimentos governamentais e de agências de fomento. Entre as principais áreas estão os sensores quânticos, que podem medir campos magnéticos, massa e assim por diante, e são muito mais sensíveis; e as comunicações quânticas, que não podem ser decodificadas e podem interessar governos ao redor do mundo.

Foto: Reprodução/Canal USP

A mecânica quântica foi criada para descrever sistemas microscópicos, como átomos e moléculas, mas possui uma série de propriedades que Landi chama de contraintuitivas e que estão começando a serem entendidas agora, com novos experimentos. Na computação, por exemplo, consiste em trocar o sistema binário atual por um sistema baseado em pequenas moléculas, o que permitiria uma ampliação exponencial na forma como se processa informação.

O Brasil é tradicionalmente muito forte na área quântica, com pesquisadores que são precursores do ramo, como o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Davidovich. Existe uma movimentação no mundo de investimentos de agências de fomento na pesquisa básica e de investimentos estratégicos dos governos para o desenvolvimento de tecnologias a partir desse nível básico, que o professor prevê que deve ocorrer no Brasil nos próximos anos. Quanto à iniciativa privada, o investimento se encontra concentrado em empresas gigantes, como o Google, mas vêm surgindo também startups com propostas interessantes para a área. O que seria necessário para que o Brasil deslanchasse nessa e em outras áreas, para o especialista, é investimento em ciência e inovação.

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