Auxílio emergencial ajudou a estabilizar índices econômicos relacionados ao PIB

De acordo com Matias Rebello, um dos responsáveis pelo estudo, auxílio foi fundamental em termos sociais e também teve repercussão positiva na métrica da dívida em relação ao Produto Interno Bruto

O auxílio emergencial foi justamente o que fez a razão dívida/Produto Interno Bruto (PIB) ficar estabilizada – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Devido ao contexto pandêmico, o equilíbrio entre os esforços para evitar uma grande queda em diversos índices econômicos e o não aumento de dívidas foi uma pauta muito debatida, não apenas pelo Ministério da Economia e equipe, mas também por congressistas e pesquisadores. O auxílio emergencial, benefício instituído no Brasil logo no início da pandemia, foi um desses projetos que tentaram atenuar a profundidade da recessão econômica e, de acordo com um estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, o auxílio foi justamente o que fez a razão dívida, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), ficar estabilizada.

“Como a gente começou a dar dinheiro para pessoas que consomem uma parcela maior da renda, ou seja, propensão a consumir, elas acabam estimulando as atividades. Com isso, a gente tem uma dinamização da atividade econômica que, no caso do ano passado, possibilitou uma queda menor do PIB”, comenta Matias Rebello, doutorando da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e um dos responsáveis pelo estudo. Para efeito de comparação, a expectativa é de que o PIB de 2020 caia 4,3%, sendo que poderia cair até 15% na ausência do benefício.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Rebello explicou que a metodologia para esse cálculo foi feita considerando quais programas poderiam ser usados de forma equivalente ao auxílio, tentando achar qual seria o efeito multiplicador do auxílio emergencial em si. Este multiplicador é o fator que indica qual o impacto de fato na economia e o doutorando detalha que, no primeiro trimestre, a cada R$ 1 depositado pelo governo, R$ 0,95 eram acrescentados ao real transferido. No entanto, com o passar do tempo, o efeito multiplicador fez com que, no terceiro trimestre, o real depositado gerasse R$ 2,40.

Existiu e ainda existe uma preocupação muito grande com relação aos efeitos fiscais que uma implementação de um programa de auxílio pode acarretar nas contas públicas, mas, no caso do auxílio emergencial, o efeito foi positivo. “O auxílio foi fundamental em termos sociais e também teve uma repercussão positiva na métrica da dívida em relação ao PIB”, conclui Rebello.


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