Aumento do estresse na pandemia pode levar a alterações hormonais

Ana Cláudia Latrônico alerta que estresse e ansiedade podem causar insônia, fome, alteração da libido, da menstruação e desregulação da diabete

Estresse e ansiedade têm sido consequências da pandemia e do isolamento social. Segundo especialista, a alteração hormonal afeta as noites de sono, a alimentação, a libido, a capacidade de concentração e, em determinados casos, pode necessitar de auxílio médico.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Ana Cláudia Latrônico, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, comenta que a situação atual tem gerado mudanças emocionais causadas pelo estresse tanto em adultos quanto em crianças. O estresse na pandemia pode ser ocasionado pelo medo, preocupação com a própria saúde ou de entes queridos, mudanças nos padrões de sono e alimentação e levar a dificuldades de atenção, memória e processos cognitivos: “Alguns pacientes tiveram agravamento dos seus problemas de saúde crônicos, às vezes relaxaram a atividade física e o uso de medicamentos. E uma preocupação que eu tenho é o maior consumo de álcool, cigarro e drogas nesse período de isolamento”.

A médica informa que o estresse é uma resposta a situações de perigo ou medo e leva o organismo a responder com mobilização de energia, preparação do sistema nervoso central e ativação intensa do hormônio cortisol, que faz parte do sistema hormonal ligado à glândula suprarrenal. É uma reação positiva no primeiro momento, mas o estresse pode levar ao excesso de cortisol, o que causa impactos: “Pessoas muito estressadas podem ter diminuição do sistema reprodutivo, então algumas mulheres vão deixar de menstruar, alguns homens e mulheres vão ter menos libido. Às vezes vai ter mudança no padrão alimentar, com a necessidade de aumentar a quantidade de energia e ingestão de carboidratos. Esse estresse contínuo pode ter, sim, impacto não só no sistema ligado ao cortisol, mas aos sistemas endócrinos interligados, entre eles o sistema reprodutivo e a parte metabólica”.

Para Ana Cláudia, em casos leves ou moderados de estresse, não há necessidade de medicação, mas há recomendações para cuidar do corpo e da mente: “Primeiro, cuide do corpo. Se acalme, tente ter refeições saudáveis e equilibradas, se possível faça uma atividade física regular, tente dormir o suficiente, evite o excesso de álcool e tente manter uma rotina. Ela indica reservar um tempo para conversar com os familiares e uma rotina regular tanto de aprendizagem e relaxamento quanto de diversão. E faz um alerta importante: “Pacientes que se sentem deprimidos e comprometidos emocionalmente pelo isolamento social devem procurar atendimento médico, pois talvez precisem de tratamento mais focado, com antidepressivos ou com medicamentos que possibilitem uma noite de sono mais completa”.

A especialista ainda lembra que a elevação do nível de cortisol pode agravar a diabete, seja diagnosticada ou não, porque o hormônio favorece o aumento da glicemia, portanto, “quem já tinha um estado limítrofe em termos de glicemia ou já era diabético pode ter agravamento pelo nível de estresse e isso ainda é somado à mudança alimentar. Pode ter uma descompensação ou uma piora. Recomendo àqueles que são diabéticos diagnosticados a fazer controle ou exames laboratoriais”.

Ouça entrevista na íntegra pelo player acima.


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