Aumento da extrema pobreza reflete falta de transferência de renda

Relatório produzido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil afirma que o Brasil vem regredindo em relação ao combate à indigência

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O Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil, que conta com aproximadamente 40 instituições, elenca os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e mostra como anda o País em relação a eles. Entre os âmbitos acompanhados pelo relatório está o ODS Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares, encabeçado pela organização ActionAid, que aponta o crescimento dos níveis de pobreza e os cortes orçamentários de programas de seguridade social.

A partir do ano de 2014, a população abaixo do nível da pobreza no País passou de 5,2 milhões para 11,8 milhões em 2017, segundo dados do IBGE. O documento aponta que o País vinha alcançando antecipadamente os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, mas a rota foi interrompida pela mudança de forças políticas dirigentes e indica como os principais motivos a implementação da PEC 95, que limita os gastos por 20 anos, e a Reforma Trabalhista.

A professora Silvia Schor, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e especialista em desigualdade e pobreza, comenta os motivos e os impactos da crescente nos números de pessoas na linha da extrema pobreza no País.

A especialista atribui o crescimento da pobreza às condições internas  enfrentadas pelo Brasil, como a incerteza política, que contribui para a queda de investimentos no País. Além disso, acredita que o crescimento da renda do brasileiro é um caminho necessário para a melhoria da situação e para gerar capital que possa ser investido em programas de distribuição de renda.

“A extrema pobreza é uma condição estrutural. Nenhum governo vai conseguir alterar inteiramente essa condição estrutural com a promulgação de uma ou duas medidas.” Silvia Schor destaca que é preciso levar em consideração o tempo entre a prática das medidas e as transformações que elas levam. Então, o caminho é fazer com que os jovens e crianças nessa situação não repitam as condições dos pais e ultrapassem essa barreira com transferência de renda, como propõe o programa Bolsa Família.

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