Potencial de crescimento pode atrair investimento estrangeiro

Para Paulo Feldmann, hoje a maior influência sobre investimentos são a crise econômica e instabilidade política

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De acordo com levantamento realizado pelo Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a queda dos investimentos estrangeiros no Brasil chegou à 9,7%, junto com uma queda em 3,6% na América Latina. Já em 2018, no período de janeiro à abril, os investimentos caíram quase 30% em relação à mesma época do ano passado, segundo dados do indicador Investimento Direto no País (IDP) do Banco Central.  Os dados que mostram o período de recessão no qual o país está inserido são comentados pelo professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Segundo Feldmann, a queda do investimento estrangeiro no mundo inteiro é fruto de uma desconfiança por parte dos países e multinacionais. Um dos sintomas dessa instabilidade é a relação entre Estados Unidos e China. “Se a retaliação entre Estados Unidos e China continuar, vai afetar muito a economia mundial, as exportações mundiais vão cair e isso vai gerar uma crise econômica muito séria.” Para ele, quando uma crise é vista no horizonte, os investimentos diminuem. De 2016 para 2017, os investimentos de multinacionais caíram significativamente: cerca de 24%.

Oportunidade de investimento estrangeiro – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

No Brasil, a maior influência sobre os investimentos é a crise econômica, que eleva o nível de desemprego, e a instabilidade política. Não obstante, o país segue sendo um dos que mais recebem investimentos, ficando em 4º lugar na escala mundial. Conforme o economista, apesar da situação atual do Brasil, os investidores enxergam no país um potencial de crescimento, diferente da relação com outros países que também sofrem um período de instabilidade. Outro fator que faz com que o país continue sendo um dos principais alvos das multinacionais é a grande reserva internacional, com aproximadamente US$400 bilhões investidos em títulos do governo americano.

Os conhecidos entraves de infraestrutura também interferem no crescimento econômico brasileiro. Para o professor, o país possui um transporte de mercadorias baseado primordialmente em rodovias caras e ruins, que podem resultar em problemas ocasionais como a greve dos caminhoneiros. Outro obstáculo é a alta carga tributária, que causa preocupação para investidores.

Para Feldmann, o capital estrangeiro investido no Brasil no ano de 2018 deve ser ainda menor que o baixo valor do ano passado, que chegou à cerca de US$68 bilhões. O economista destaca a importância dos investimentos vindos do exterior, já que, segundo ele, nem o governo e nem o empresariado nacional investem o suficiente. O crescimento, portanto, deve ficar para o ano de 2019, dependendo fundamentalmente do resultado da eleição presidencial e contrariando a previsão do início de 2018, que afirmava um acréscimo de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, a previsão é de apenas 1,5%, devido à greve dos caminhoneiros.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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