Atividades escolares em casa pedem dedicação dos pais

Para Carlota Boto, conversar com as crianças sobre a pandemia e manter contato com professores é essencial neste período

Desde o dia 23 de março, as aulas presenciais das escolas do Estado de São Paulo estão suspensas por tempo indeterminado. O desafio para pais e professores é manter as atividades escolares em casa, utilizando recursos como a internet e a televisão. Conversamos com Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da USP, sobre como os pais podem participar ativamente das atividades escolares dos filhos. Para a professora, o primeiro passo é manter uma rotina que inclua as atividades escolares da criança para que ela se habitue com o novo ambiente de estudo e, dessa forma, é importante que haja um diálogo entre a escola e os pais. A falta de foco das crianças, por exemplo, é um dos desafios que pode ser solucionado, coincidindo a rotina dos pais com a das crianças.

A tarefa de orientar as crianças é algo novo para os pais, uma vez que muitos não estão habituados a participar ativamente dos estudos dos filhos, como é o caso de Paula Teixeira, que está tendo dificuldades em convencer uma das filhas a estudar. Uma das possibilidades para que a criança queira fazer as atividades é estimular a curiosidade intelectual delas, técnica utilizada por Jackeline Santos, graduanda da USP e tia da Sofia Vitória, estudante do primeiro ano do ensino fundamental. Sentindo que sua sobrinha não estava motivada, ela pesquisou formas de convencê-la a estudar, como, por exemplo, desafiando a sobrinha a fazer a atividade. 

Para facilitar o ensino a distância, algumas escolas particulares já integram em sua metodologia o uso de recursos tecnológicos. Para Paula Souza, mãe de Henrique Benedito, aluno do sexto ano do fundamental, a cultura digital da escola ajuda muito no desenvolvimento do filho, permitindo que ele mantenha a rotina de estudos que tinha na escola. Ainda que seja tendência em escolas particulares, o uso da internet não é uma realidade para muitas famílias com crianças matriculadas em escolas das redes municipal e estadual e, sobre isso, Carlota frisa que é importante discutir alternativas para o momento, pensando na inserção de alunos da rede pública.

Carlota explica que é também importante os pais aproveitarem este período em que estão mais próximos dos filhos para conversar com eles e pedir, sempre que necessário, orientações aos professores: “Há que se conversar com as crianças, as crianças precisam ser ouvidas. Elas têm hipóteses sobre a pandemia. Elas têm impressões sobre aquilo que elas vivem hoje, e os pais devem, com franqueza e com carinho, dialogar com essas crianças para trabalhar com elas a temática da pandemia”.

Confira a íntegra da matéria pelo link acima.

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