Atenção básica não é utilizada nas políticas de combate ao coronavírus

Segundo Aylene Bousquat, além da eficiência no atendimento na UTI, é necessário criar estratégias que alcancem a atenção primária

 04/06/2020 - Publicado há 1 ano

Desde o início da pandemia, houve um empenho na saúde para casos graves, que necessitam de cuidados específicos, como UTI e respiradores. No entanto, é preciso também que existam estratégias na atenção primária, ou seja, o primeiro contato do paciente com o sistema de saúde. É isso que a pesquisa Desafios da Atenção Básica no Enfrentamento da Pandemia da Covid-19 no SUS busca discutir. 

A pesquisa é uma iniciativa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e está sendo coordenada pela professora Aylene Bousquat, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, que conversou com o Jornal da USP no Ar, além de pesquisadores de outras instituições, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

O servidor on-line da pesquisa apresenta questões direcionadas para profissionais da saúde e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio das respostas, os pesquisadores farão um diagnóstico de medidas que serão repassadas aos gestores e secretários de saúde, a fim de que estes formulem propostas e estratégias em seus respectivos Estados.

A professora explica que, em diversos municípios brasileiros, o único serviço de saúde disponível são as Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Com políticas adequadas, os 260 mil agentes comunitários de saúde que temos no Brasil poderiam estar ajudando profundamente no território, enfrentando melhor a pandemia. Os recursos da atenção primária não têm sido utilizados e priorizados nas políticas, o que é um erro”, comenta Aylene. 

Aylene reforça que “todos os serviços vão ter de se adequar à nova realidade, já que esta situação vai ser longa”. Ela afirma que é importante que o sistema de atenção primária também se adeque e garanta ações não só ao paciente que adoece, mas continue com os atendimentos de prevenção, por exemplo. “Precisamos pensar e reorganizar esses sistemas”, completa. 

Ouça a íntegra da entrevista no player acima.


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