Arriscada, edição gênica de bebês chineses desconsiderou ética

Cientista chinês anunciou ter criado os primeiros bebês geneticamente editados, em experimento controverso

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Na última terça-feira (26), cientistas e especialistas em bioética no mundo todo ficaram chocados com o anúncio de um geneticista chinês. He Jiankui anunciou ter criado os primeiros bebês geneticamente editados, através da técnica denominada CRISPR, sigla em inglês de Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats.

Fotomontagem a partir dos subsídios gráficos com licença Creative Commons de atribuição de christianabella e PublicDomainPictures via Pixabay

Nesta edição de Decodificando o DNA, Mayana Zatz comenta o anúncio, explicando por que, em sua visão, não se trata de um procedimento em acordo com a ética médica nem científica. Em primeiro lugar, o suposto experimento foi feito com bebês saudáveis – duas gêmeas, filhas de mãe saudável e pai soropositivo – que tiveram seu genoma alterado para que uma mutação as tornasse resistentes aos efeitos do HIV, o vírus da Aids. A professora defende que a edição gênica seja utilizada apenas para tratar doenças, como já acontece experimentalmente, com adultos portadores de doenças terminais que podem se beneficiar da terapêutica.

Mais que isso, a técnica ainda não está suficientemente desenvolvida, e nada garante que no processo não tenham sido afetados outros genes, deixando as crianças predispostas a desenvolver tumores, por exemplo: “Para fazer uma analogia, seria como mirar no bandido e sobrarem várias balas perdidas para inocentes em volta”. E é por isso que a legislação da maioria dos países veta a prática fora de casos experimentais específicos.

Clique no áudio acima para ouvir a geneticista do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP.

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