“Ainda temos taxas muito elevadas de sífilis congênita”, afirma especialista

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck fala sobre a situação da doença no município de São Paulo e da importância do pré-natal para prevenção da condição congênita e redução da transmissão

 Publicado: 12/11/2021
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a taxa de ocorrência de sífilis congênita no Brasil cresceu progressivamente ao longo dos anos, segundo dados do Ministério da Saúde – Foto: Ayo Sehat – Flickr

A taxa de ocorrência de sífilis congênita recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 0,5 casos por mil nascidos-vivos, ainda está muito longe de ser alcançada no município de São Paulo. Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck, pediatra e neonatologista do Centro Neonatal do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, alerta que, apesar de ser uma doença conhecida e de fácil prevenção, “ainda temos taxas muito elevadas de sífilis congênita”. 

Doença infecto-contagiosa, a sífilis congênita se tornou prioridade de eliminação da saúde pública no Brasil. Lilian explica que a doença é causada pela bactéria Treponema pallidum e adquirida através da transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho, ainda no período de gestão. “É por meio da passagem do agente da mãe para o feto através da placenta e, portanto, o bebê já nasce com sífilis congênita”, explica. Ela também destaca que, na maior parte das vezes, as mães não têm conhecimento que carrega a bactéria e, consequentemente, a doença, que ocorre silenciosamente. “Por isso, é tão importante o pré-natal, porque é durante esse processo que ela vai fazer exames sorológicos no primeiro, segundo e terceiro semestre”, explica Lilian, ao comentar que é por meio do pré-natal que se detecta a doença na gestante e feito o tratamento por intermédio da penicilina. “O ideal é fazer o tratamento da gestante durante o pré-natal para tratar e evitar a passagem da sífilis para o seu bebe e prevenir a condição congênita”, avalia.

De acordo com o Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, a taxa de ocorrência de sífilis congênita no Brasil cresceu progressivamente ao longo dos anos, visto que, em 2009, a incidência era de 2,1 casos da doença para cada mil nascidos-vivos, enquanto em 2018 esse dado subiu para nove casos para cada mil nascidos-vivos. No caso do município de São Paulo, a taxa de incidência deste ano foi de 7,2 para cada mil nascidos-vivos, de acordo com dados até julho deste ano da Secretaria Municipal de Saúde.

Lilian ressalta que a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançou o grupo de trabalho de Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita em 2016. “Foi lançado com o objetivo de sensibilizar os profissionais da saúde e a população em geral sobre o grande problema que é a sífilis congênita”, explica. Ela também explica que, em conjunto com a SPSP, a Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo e a Coordenação Nacional das Infecções Sexualmente Transmissíveis lançaram a campanha Outubro Verde: combate à sífilis congênita, com o objetivo de atuar na sensibilização e atualização dos tratamentos tanto para gestantes como para os recém-nascidos. “Nosso objetivo maior é que a gente consiga reduzir as taxas de sífilis congênita”, conclui.


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