Acusações de Moro contra Bolsonaro são graves e merecem apuração

A opinião é dos professores Maurício Steigemann Dieter e Heleno Taveira Torres, os quais, no entanto, divergem quanto a outros aspectos do legado de Moro no atual governo

Neste momento, os impactos políticos da saída de Sérgio Moro são mais discutidos do que seu próprio trabalho. Por isso, fazer um balanço sobre o legado que ele deixará tanto para o Ministério da Justiça quanto para o Brasil é extremamente necessário. Professores da USP apresentaram visões distintas sobre esse legado de Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Maurício Steigemann Dieter, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), comenta em entrevista ao Jornal da USP no Ar que é crítico ao fato de o ex-juiz ter aceitado o cargo de ministro. “A partir do momento em que o ex-juiz Sérgio Moro sai da 13ª Vara Federal de Curitiba, ele sai com uma autoridade moral diminuída”, comenta Dieter. Para ele, isso ocorre porque o trabalho de Moro frente às investigações contra o Partido dos Trabalhadores (PT) era vinculado a um projeto político, sendo ele um coautor. Ao aceitar um cargo de ministro da Justiça de um governo de oposição, sua atitude pode ser considerada imoral. O professor aproveita para citar os vazamentos divulgados pelo Intercept, e que demonstram uma atuação parcial do juiz enquanto responsável pelos inquéritos da Lava Jato.

Já Heleno Taveira Torres, também da Faculdade de Direito da USP, acredita que o aspecto técnico desempenhado por Moro chama mais atenção do que sua característica política. Para o professor, Moro atuou dentro de sua juridicidade e, com a experiência contra grandes estruturas do crime organizado e no enfrentamento da corrupção, conseguiu desempenhar seu papel de forma satisfatória. A questão levantada por Torres é que realmente havia uma expectativa do governo de que Moro atuasse como ministro da Justiça, mas de forma política. Ao decidir atuar como técnico, o ex-juiz acabou frustrando o presidente Bolsonaro e seus seguidores. O professor lembra que, além do Ministério da Justiça, Moro assumiu protagonismo nas questões de segurança pública, empenhando-se contra o crime organizado e facções criminosas.

Ambos os professores concordam que as acusações feitas por Moro contra o presidente Jair Bolsonaro são gravíssimas e devem ser investigadas. Com relação à troca na Polícia Federal (PF), Dieter comenta que a PF era a principal base de apoio de Moro, então, ao perceber que iria perder essa influência, e principalmente porque essa mudança envolvia questões particulares do presidente, Moro decidiu sair. Para Torres, apesar de as investigações estarem no início, fica a questão de qual será a consequência final desse processo, pois Moro certamente trará provas para tentar comprovar o que foi denunciado.

Para ouvir a íntegra das entrevistas e das opiniões dos professores, clique no player acima.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. Busca aprofundar temas da atualidade de maior repercussão, além de apresentar pesquisas, grupos de estudos e especialistas da Universidade de São Paulo.
No ar de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.

.

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.