Ações de combate ao desmatamento amazônico são urgentes

Pedro Luiz Côrtes comenta que, com respostas tardias às questões ambientais, governo federal colocará exportações brasileiras em situação delicada

jorusp

Além da manifestação de investidores sobre uma possível retirada de recursos do Brasil, CEOs de grandes empresas endossaram, em carta, críticas contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia, ameaçando a economia baseada em exportações agrícolas. O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, analisa as reações do governo federal a essas cobranças em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Ele considera que a reação dos membros do governo tem variado de acordo com a autoridade, e que, ao contrário do que se via no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro tem comentado pouco sobre as questões ambientais e outros temas dos quais se esperavam pronunciamentos. Além disso, segundo o professor, o ministro Ricardo Salles vem perdendo protagonismo: “Ele tem insistido com frequência na mesma retórica de que governos estrangeiros deveriam investir no País, porque isso significaria também um apoio no combate às mudanças climáticas. Mas, quando perguntado sobre o que aconteceu com o Fundo Amazônia, ele não dá nenhuma explicação pública”.

Por outro lado, o vice-presidente, Hamilton Mourão, tem assumido um discurso mais focado na geopolítica e no agronegócio, embora evite responsabilizar o governo pela falta de medidas sobre o tema. “Na prática, o que vem acontecendo é que há muito discurso e pouca ação, que geralmente vem tardiamente e sem planejamento prévio. Vale lembrar que o desmatamento não ocorre somente no momento da queimada, mas sim em três fases de limpeza do terreno: o corte de espécies arbóreas de grande valor comercial, o uso de tratores para retirar as espécies de médio porte e, por fim, as queimadas em períodos de seca. Parece que o governo só começa a agir nessa terceira fase”, comenta o especialista.

Côrtes ainda ressalta que, para os gestores de grandes fundos de investimento, apenas discursos não são suficientes, uma vez que “muitos desses fundos têm regras muito rígidas de governança que envolvem questões ambientais”. Além disso, ele defende que o Brasil precisa reconhecer sua parcela de culpa na situação ambiental, em diferentes tipos de embargo, seja por meio do governo, de empresas, ou até da reação dos consumidores contra produtos agrícolas brasileiros na Europa, o que já está acontecendo. Nesse sentido, ele acredita que “o governo precisa agir o mais rápido possível, porque após a normalização dessa crise sanitária atual haverá uma recessão econômica mundial que deixará os países europeus ainda mais protecionistas, impactando significativamente nossas exportações”.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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