“Ação policial na pandemia deveria ser mais de mediação e menos de punição”

A opinião é de Amâncio Jorge de Oliveira, que analisa o crescimento da violência policial durante a quarentena e como a sociedade tem reagido ao problema

A violência policial tem crescido mesmo durante a pandemia. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor Amâncio Jorge de Oliveira, do Instituto de Relações Internacionais (IRI), comenta sobre possíveis soluções para a violência policial, principalmente em tempos de crise. O mesmo tema será discutido em um webinar, promovido pelo Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) e pelo Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri) da USP, que ocorre no dia 21 de agosto.

Para o especialista, o papel da segurança pública no momento atual é fundamental. “São tempos de estresse enorme, então a manutenção da ordem é muito importante. Também há um elemento preventivo, com a vigilância para coibir violência e, além disso, a função de coordenação da informação também faz com que a segurança pública contribua de forma ampla para a sociedade”, explica.

Apesar da ocorrência de alguns crimes ter diminuído durante o período de quarentena, principalmente aqueles contra patrimônios, o professor indica que outros, como narcotráfico, tendem a aumentar, gerando guerras entre gangues e outros problemas relacionados a essa atividade. Além disso, os índices de violência doméstica também cresceram por conta do confinamento e das dificuldades de assistência psicológica para esses casos, gerando conflitos. “Nesse sentido, o papel da segurança deveria ser muito mais o de mediação do que alguma ação punitiva”, defende Oliveira.

Oliveira também ressalta que ações policiais em áreas pobres e desenvolvidas são assimétricas, causando tratamentos desiguais que deveriam ser coibidos. Esse cenário contribui para que a própria sociedade reaja, optando por dar visibilidade a eventos de abuso policial, por exemplo, que causam impactos na reputação das instituições, e os próprios órgãos têm se mobilizado, fazendo policiais usarem câmeras que gravam toda sua atuação e comprovem nas filmagens o seguimento dos protocolos devidos. “Esses mecanismos são importantes mas, em níveis extremos de desigualdade, é mais difícil de conter a força policial desproporcional. Em última instância, a pandemia piora isso e, consequentemente, deteriora a relação entre órgãos de segurança e sociedade”, indica ele.

Apesar de ser um problema mundial, as respostas da sociedade são diferentes entre países como os Estados Unidos e Brasil, dependendo das trajetórias culturais. Especialistas abordarão diferentes perspectivas sobre o tema no evento Segurança Pública na Pandemia: Ações Policiais em Tempos de Crise. O webinar é aberto a todos os interessados e mais informações podem ser acessadas neste link.


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