Ação do coronavírus no hemisfério sul ainda traz dúvidas

Paulo Rossi Menezes afirma que as estratégias para o enfrentamento da covid-19 são constantemente avaliadas,  e que o  serviço de saúde está sendo preparado para a demanda esperada

 

Em coletiva de imprensa na quinta-feira (12), o governo do Estado de São Paulo apresentou planejamento para lidar com a pandemia do novo coronavírus. O foco se mantém na contingência do vírus e combate aos casos graves. O governo não precisa números, mas afirma estar preparado para os mais diversos cenários.

O professor Paulo Rossi Menezes, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo,  afirma que há dúvidas sobre a ação do vírus no Brasil devido às condições climáticas e especificidades características da população. O Hospital Israelita Albert Einstein já registrou 98 casos de contaminação por coronavírus no Estado, mas ainda não foram contabilizados pelo Ministério da Saúde. 

“Se alguém der um número, é porque deve ser mágico. Ainda não temos consciência de como o vírus vai agir na nossa temperatura, na nossa população. O coronavírus tem circulado no hemisfério norte a temperaturas médias entre 0°C e 10ºC, aqui estamos, felizmente, entre 20°C e 30°C. Não sabemos como vai se transmitir aqui. Trabalhamos com cenários desde uma transmissão menor até maior”, afirma Menezes.

Segundo o professor, as medidas apresentadas pelo Governo do Estado apresentam três eixos: “primeiro é a vigilância e saúde, numa tentativa de reduzir a transmissão do vírus na nossa população através de identificação rápida dos casos, isolamento e outras medidas de prevenção; em segundo é a organização da assistência, pois precisamos estar preparados para o possível número de casos graves que podem vir a acontecer, por isso estamos discutindo o aumento de leitos em UTI no Estado; a terceira é a comunicação com qualidade e transparência para a sociedade”.

“Há necessidade de mudanças de estratégias”, comenta Menezes. Até o momento, o quadro gripal, febril e histórico de viagem são levados em consideração para elevar o paciente para a categoria de suspeito. “Agora estamos numa fase de transmissão que nos preocupa muito mais, que são os casos com necessidade de internação e até UTI, os mais graves. Então, o foco da vigilância provavelmente vai mudar nesses próximos dias”.

As estratégias para o enfrentamento da covid-19 são constantemente avaliadas. “Medidas como o fechamento de escolas e de transporte público geram grande impacto na sociedade e, portanto, é preciso ter critério e pensar qual o momento adequado para colocá-las em prática. Estamos preparando o serviço de saúde para atender a demanda que tende a surgir”, ressalta.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. Busca aprofundar temas da atualidade de maior repercussão, além de apresentar pesquisas, grupos de estudos e especialistas da Universidade de São Paulo.
No ar de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.

.

 

 

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.