Baixar impostos sobre cigarro aumenta chance de câncer de pulmão

Na contramão de Moro, consumir cigarro nacional em vez de contrabandeado não é melhor para a saúde, diz médica

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, criou um grupo de trabalho com o intuito de avaliar a viabilidade da redução de impostos sobre a indústria tabagista. A medida visa a desincentivar o contrabando, assim, os preços do cigarro nacional cairiam. A iniciativa recebeu uma avaliação negativa de especialistas da saúde. Eles criticam a falta de membros da categoria no GT e, majoritariamente, afirmam que não haveria nenhum impacto positivo sobre a saúde pública. O impacto, na verdade, seria negativo, diz a professora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP Suely Aparecida Kfouri Sakaguti.

O carcinogênico, elemento causador do câncer, não tem relação com a qualidade do cigarro. A professora explica que essa abordagem não passa de uma estratégia das empresas do ramo para se realizarem em um mercado que está em queda. Quase sempre na contramão da saúde. Cita, ainda, o médico Drauzio Varella: “Existe cigarro de boa qualidade? Existe câncer de pulmão de boa qualidade e má qualidade? A indústria tabaqueira sempre usa esse subterfúgio. E o que eles querem é que o cigarro custe menos”. Suely diz que é uma estratégia comum, e relembra de um evento sobre o combate aos malefícios do tabagismo, com a participação da Philip Morris, em que se fazia publicidade do cigarro eletrônico.

Os maiores consumidores de cigarro entre a população brasileira são os mais pobres e os mais jovens. O desestímulo financeiro, isto é, aumento dos preços por via dos impostos, é a medida mais efetiva, defende a professora. Em vez de baixar a taxação do tabaco, uma medida já consolidada e elogiada globalmente, o governo deveria aumentar impostos sobre outras drogas, como o álcool, argumenta a especialista da saúde.

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