“A grande pandemia do século 21 são as mudanças climáticas”

Segundo Julio Meneghini, o RCGI desenvolve estudos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para redução do efeito estufa e mudanças climáticas

O Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), sediado na Escola Politécnica (Poli) da USP, apresenta relatório de atividades alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). O RCGI é responsável por projetos que visam a garantir a sustentabilidade energética e a redução de gases causadores do efeito estufa e mudanças climáticas. Os estudos resultam da parceria entre a Universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a iniciativa privada.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor Julio Meneghini, da Escola Politécnica e diretor científico do RCGI, explica que o centro começou com foco na sustentabilidade de gás natural, biogás, hidrogênio e na captura de CO2, mas o objetivo agora é abranger todos os gases causadores do efeito estufa para propor inovações com impacto global. Para isso, a parceria entre a academia e as iniciativas pública e privada é essencial: “Uma empresa não é capaz de resolver problemas globais, assim como o governo sozinho não é, e sem a Academia, sem a ciência, não se faz desenvolvimento, não se criam novos conhecimentos”.

O RCGI desenvolve projetos alinhados aos ODS da ONU e os próximos passos serão pensar soluções para cumprir a meta de não atingir os 2ºC de aumento da temperatura global. “A grande pandemia do século 21 são as mudanças climáticas, que poderão durar décadas”, afirma o professor Meneghini, que complementa: “Se nós atingirmos essa temperatura, vamos ter efeitos catastróficos no mundo”.

Entre os projetos desenvolvidos no centro, Meneghini destaca uma tecnologia capaz de diminuir em até 60% as emissões de metano em compressões de grande porte. Apesar de o metano não ser um dos principais causadores do efeito estufa, sua emissão tem impactos globais. Outro exemplo de projeto é utilizar cavernas na região do pré-sal para fazer a separação de gases, como o metano, o CO2 e o gás natural. Nesse processo, é possível separar, por exemplo, o gás carbônico e usar apenas o metano ou vice e versa. “São cavernas enormes e o impacto é praticamente inexistente. As cavernas estão na camada do pré-sal, a 3 km de profundidade a partir do leito oceânico”, finaliza.


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