A estranha relação dos brasileiros com seus carros

O colunista afirma que há uma espécie de paixão pelos automóveis em contraposição à pessoa humana

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O professor Guilherme Wisnik fala, na edição de hoje, sobre como é a relação curiosa e estranha que os brasileiros estabelecem com seus automóveis. “Um tipo de paixão”, destaca.

Wisnik comenta que há prédios hoje em que o morador sobe de carro para dentro do apartamento. “Ao invés dos carros ficaram guardados nos subsolos sombrios, frios e impessoais, o carro sobe triunfalmente de elevador e adentra o apartamento, onde ele tem um ambiente só para ele, decorado inclusive. É como se o carro fosse um membro da família, um animal de estimação, um cavalo de raça domesticado.”

Outro fenômeno destacado pelo professor é a existência do drive-in de oração. “Você chega de carro, entra no espaço para ser benzido, receber uma prece, se aliviar. A diferença é que não é mais a pessoa e sim um condutor de um veículo que, no meio do trânsito e do caos da cidade, sente uma necessidade súbita de se confessar, se aliviar, sem sair do carro.”

O colunista destaca que esses fenômenos são percepções do modo de vida, que são interessantes e, ao mesmo tempo, grotescos e reveladores de transformações que têm a ver com a nossa época e que nos colocam diante do que é o nosso mundo hoje.

Ouça, no link acima, a íntegra da coluna Espaço em Obra.

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