Um verdadeiro Pipe Master

Tiago Brant é mestrando na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e membro do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO-USP)

Por - Editorias: Artigos - URL Curta: jornal.usp.br/?p=217276
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Foto: Arquivo pessoal

Desde o início da temporada os sinais eram claros. Assistiríamos a um Pipe Masters Clássico, com letra maiúscula dada a perfeição e o tamanho das ondas previstas, como há anos não víamos. Fotos e vídeos das primeiras ondulações a chegarem à costa norte da ilha de Oahu comprovavam a tese. Mas os primeiros dias da janela de espera para a realização do campeonato decepcionaram bastante as expectativas, com ondas medianas (para um Pipe Masters Clássico) e imperfeitas por conta do vento norte/noroeste, que é lateral em Pipeline. O evento começou oficialmente no dia 8/12, um sábado, e… nada. A mesma situação para os quatro dias seguintes. Ondas razoáveis apareceram apenas na quarta-feira seguinte, 12/12, quando começaram e acabaram as triagens, classificando o local de Pipeline, Benji Brand, e o australiano Ryan Callinan para o evento principal.

No dia seguinte, 13/12, quinta, aconteceu todo o primeiro round da competição, com 12 baterias e 6 horas de surfe. A areia, lotada com grande contingente de brasileiros (cerca de 60% do público na área do campeonato tinha nosso passaporte) torcia descaradamente para Medina, principalmente depois da derrota de Felipe Toledo no terceiro round. E então… mais uma pausa de três dias, para recomeçar a competição no domingo, 16/12, com as baterias do segundo e terceiro rounds. E então a história foi ficando cada vez mais clara. Gabriel Medina não apenas seria bicampeão mundial de surfe, mas conquistaria a rainha das etapas do circuito mundial e o único troféu mais prestigioso que ainda não fazia parte de sua coleção, o Pipe Masters, algo como “Mestre dos Tubos”, na onda mais cobiçada do North Shore, uma bancada de coral conhecida como Pipeline, Tubulação, acessível pelo estacionamento do Ehukai Beach Park, localizado na Kamehameha Highway, uma estrada que margeia as sete milhas miraculosas (seven miles miracle), assim chamadas pela qualidade e quantidade de ondas que quebram em sua costa: Haleiwa, Sunset e Pipeline, para citar apenas as três que fazem parte da Tríplice Coroa Havaiana, um minicircuito que envolve duas etapas classificatórias com pontuação máxima (Haleiwa e Sunset) e uma etapa da Elite (Pipeline).

Pois também a Tríplice Coroa este ano foi vencida por um brasileiro: Jessé Mendes, paulista do Guarujá, que não teve um ano muito feliz no WCT (28º), mas conseguiu classificação para o WCT 2019 pelo WQS (6º) por sua performance na Tríplice Coroa (um 2º e um 5º somando 13.300 pontos dos 20.250 que acumulou em um ano inteiro no WQS 2018).

Na segunda feira, 17/12, o campeonato continuou com a fase final e Gabriel Medina manteve a calma para vencer todas as suas baterias com autoridade. Ele já havia sido vice-campeão desta etapa por duas vezes, incluindo 2014, quando foi o primeiro campeão mundial brasileiro, numa final em Pipeline com o mesmo Julian Wilson. Naquela oportunidade, foi o australiano quem se tornou Pipe Master ao derrotar Medina por um placar de 19,63 a 19,20 de 20 possíveis. Detalhe, o brasileiro tirou a única nota 10 daquela final.

Em 2018, o líder do circuito mundial, Medina, pareceu estabelecer um domínio absoluto desde a primeira bateria, vencendo todas elas e virando as que pareciam perdidas, em poucos minutos. Parabéns, Gabriel Medina, bicampeão mundial com selo de Pipe Master para coroar uma temporada impressionante.

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