Para resoluções de ano novo, entre o alvo e a realização deve haver planejamento

Por Fábio Augusto Reis Gomes, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP)

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Fábio Augusto Reis Gomes – Foto: Divulgação/FEA-RP
No limiar de um novo ano inúmeras pessoas têm o hábito de estabelecer novos projetos de vida, a partir de alvos como emagrecer, abandonar um vício, crescer profissionalmente, quitar dívidas, trocar de carro. A pergunta que surge é: quantos vão conseguir alcançar esses novos alvos? Infelizmente, para muitos, falta algo para transformá-los em realizações e não é incomum desistirem de alguns desses alvos já em janeiro.

Ao examinar os objetivos mencionados é preciso lembrar que, quando se está acima do peso, emagrecer não tem apenas um efeito estético, é também importante para saúde. E, sem dúvida, a preocupação com a saúde é um alvo que todos devem ter em mente. Já os vícios consomem os mais variados recursos, como tempo, dinheiro e a própria saúde. Não por acaso, na virada do ano fumantes estabelecem o alvo de abandonar esse vício. Quando bem-sucedidos, gozam de uma saúde melhor.

Os outros estão intimamente ligados a saúde financeira. Crescer profissionalmente, por meios legítimos, é sinal de que a pessoa está no caminho certo, rumo à realização profissional. Além da sensação de satisfação, há uma recompensa financeira que pode ser usada para proporcionar melhor qualidade de vida. Quitar dívidas, outro item da lista, traz alívio e, inclusive, proporciona uma sensação de liberdade. Você se torna livre da dívida. Por fim, trocar de carro, além de trazer conforto, pode proporcionar acesso a um veículo com melhores itens de segurança.

Ora, se esta é uma lista de objetivos legítimos e desejáveis, por que eles não se concretizam? Porque entre qualquer alvo e sua realização deve ser feito e colocado em prática um plano. O planejamento traz a obrigação de pensar em um meio de atingir cada alvo. Por exemplo, se o objetivo é emagrecer tem que haver espaço na rotina diária para algum exercício, como uma simples caminhada, por exemplo. Se não houver tempo algum, será preciso renunciar a algo para fazer exercícios. Além disso, é preciso examinar as opções de alimentação. Será que é possível almoçar em um restaurante com mais opções saudáveis? Sem examinar sua rotina, sem definir como prioridade os exercícios e uma alimentação saudável, muito provavelmente ao final de janeiro você terá desistido, pois não observará qualquer mudança na balança. Diante da frustração e eventual ansiedade, é possível inclusive que você ganhe peso.

Com os demais a lógica é a mesma. Se o objetivo é crescer profissionalmente, também deve haver um plano, que pode envolver um curso adicional, como, por exemplo, um MBA. Então, você deve verificar sua rotina e se programar para incluir este curso em sua agenda, mesmo que isso implique renunciar a algo. Por falar em renúncia, este é um elemento importante em qualquer plano para quitar dívidas. O que você pode deixar de comprar para ter mais recursos para pagar sua dívida? Aquele que deseja trocar de carro deve, antes de tudo, elaborar um orçamento familiar e identificar o quanto consegue poupar mensalmente e se tem recursos suficientes. Caso contrário, corre o risco de criar uma dívida insustentável. Portanto, sem planejamento, o sonho do carro novo pode se transformar em um pesadelo e, ainda, uma total desorganização da sua vida financeira.

Alvos legítimos não serão alcançados só porque são legítimos. É necessário fazer um planejamento e segui-lo. Neste processo é preciso ter consciência da necessidade de se fazer escolhas. Investir em um MBA e trocar de carro ao mesmo tempo pode não ser possível. Ao elaborar os planos, até essas incompatibilidades vem à tona. Portanto, estabeleça alvos que são atingíveis e faça planos que concretizem esses alvos. Com isso, você verá que o final do ano que se inicia será diferente, ou seja, com metas alcançadas.

 

 

 

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