Leucoplasia: Doença oral silenciosa que necessita atenção

Por Dante Migliari, professor da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, e Luciane Hiramatsu Azevedo, pesquisadora do Laboratório Especial de Laser em Odontologia da FOUSP

 06/01/2022 - Publicado há 4 meses
Dante Migliari – Foto: Arquivo Pessoal

 

Luciane Azevedo – Foto: Arquivo Pessoal

 

A leucoplasia oral (LO) é uma lesão potencialmente maligna, que se manifesta como placa branca (lesão plana) nas superfícies da mucosa oral. Geralmente é uma lesão única, de caráter permanente, que necessita uma ação clínica, de terapêutica e monitoramento. A LO não está associada a uma causa específica, é doença de natureza essencialmente idiopática (sem causa aparente). Nos ambulatórios do Laboratório Especial de Laser em Odontologia e de Estomatologia Clínica, ambos da Faculdade de Odontologia da USP, a prevalência de leucoplasia oral é relativamente alta, pois constituímos um centro de referência.

A leucoplasia oral pode afetar indivíduos jovens, mas é predominante na sexta e sétima década com maior prevalência no gênero feminino. Fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento e o agravamento da LO são o tabagismo e, sobretudo, o consumo crônico de bebida alcoólica. A supressão desses hábitos reduz o risco de malignização da lesão. Cerca de 1% dos casos podem ser sofrer malignização. Mas esta taxa pode ser maior, dependendo de fatores individuais (predisposição genérica) hábitos e localização das lesões.

Por ser lesão silenciosa (assintomática), as leocoplasias orais são normalmente observadas durante o exame de rotina da cavidade oral. Para sua detecção é importante que, nas visitas a consultórios odontológicos e médicos, seja solicitado exame da mucosa oral, especialmente nas áreas laterais da língua, assoalho da boca, gengiva, mucosa da bochecha, e os palatos mole e duro (céu da boca). Para a confirmação do diagnóstico clínico é necessário a realização de biópsia.

Esta é uma doença potencialmente maligna e não é possível prever qual paciente poderá desenvolver câncer oral resultante da transformação maligna da LO. Por isso, os pacientes com LO precisam ser monitorados periodicamente, em média de três a quatro vezes por ano. Esse monitoramento permite a detecção precoce de casos com transformação maligna.

Há muitas décadas, pacientes com leucoplasia oral são deixados sem reavaliação periódica. Um número expressivo desses pacientes que retorna (ou é encaminhado aos nossos ambulatórios) já exibe transformação maligna, muitas vezes em estágios avançados. A terapêutica consiste em remoção cirúrgica que pode ser realizada por cirurgia convencional, eletrocauterização, criocirurgia ou lasers de alta potência. O uso do laser de alta potência, de alta resolução cirúrgica, tem-se mostrado eficaz na redução acentuada (não na eliminação) do risco de malignização das LOs.

Além de ser uma doença idiopática, a leucoplasia oral é resistente e recidivante ao tratamento. Muitas vezes, há necessidade de novas intervenções. O monitoramento é necessário, independentemente do resultado do tratamento realizado.

Como a universidade pode ajudar no controle da LO?

É importante a concentração desses casos em local capacitado para o diagnóstico, tratamento e controle efetivo desses pacientes o que possibilitará um ganho considerável em eficiência, sobretudo na prevenção de transformações maligna. Tratando de centros de estudos clínicos, o acompanhamento dos pacientes serve-nos para avaliação epidemiológica ao longo dos anos.

Em resumo, a LO é a lesão oral de maior relevância no que concerne à ação preventiva do câncer oral.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.