Dia Mundial do Meio Ambiente

Maria Luiza Marcílio é profa. titular do Departamento de História e ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos, ambos da USP

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Maria Luiza Marcílio – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em 1972, em Estocolmo, fixou o dia 22 de abril como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nessa mesma ocasião criava o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – o PNUMA – que é a agência da ONU responsável por estabelecer a agenda global.

Em 1992, mais de 178 países assinaram a Agenda 21, a Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento e a Declaração de Princípios para a Gestão Sustentável das Florestas, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Em 2005, a Assembleia Geral declarou o ano de 2008 como o Ano Internacional do Planeta Terra para promover o ensino das ciências da Terra e fornecer à humanidade os meios necessários para o uso sustentável dos recursos naturais.

A criação do Dia Mundial da Terra teve como objetivo desenvolver uma consciência comum a todos os habitantes  do planeta sobre os problemas que afetam a Terra, como a poluição, o desmatamento, a agricultura insustentável, os pesticidas, o tráfico e caça ilegal de animais, dentre outros impactos decisivos que vêm sendo analisados pela ONU.

A destruição global e sem precedentes que testemunhamos ao nosso redor, bem como a redução das populações de plantas e de animais selvagens, está diretamente relacionada às atividades humanas.

O Dia da Terra é um evento comemorado por mais de um bilhão de pessoas, em 190 países. O verde, o plantio de árvores, a limpeza de praias, palestras e outras atividades marcam esse dia, na luta por um ambiente mais saudável. Leis  foram criadas em várias partes para obter ar limpo e água potável, além de se conservarem espécies vegetais e animais, em perigo de rápida extinção. Tenta-se conscientizar o mundo a cada ano sobre a necessidade de proteção do meio ambiente e de conservação da Terra.

Estima-se que, todos os dias, entre 150 e 200 espécies da flora e da fauna desaparecem da Terra, ritmo mil vezes maior do que a extinção natural. Esse ritmo faz a biodiversidade da Terra definhar a passos largos. O planeta está à beira do colapso e dificilmente nos damos conta disso. Produzimos 150 milhões de toneladas de plástico por ano e, destas, oito milhões de toneladas acabaram no mar, nos últimos 25 anos. Peixes, baleias e outras espécies marinhas alimentam-se e morrem engolindo esses plásticos. Muitas espécies de peixes com isso já foram extintas. No Brasil, dados oficiais sobre o desmatamento na Amazônia mostram que os primeiros dias de maio foram os piores em toda a década: 19 hectares de desmatamento, em uma quinzena; foi perdido o equivalente a 7 mil campos de futebol.

Organizações internacionais, líderes mundiais e países têm procurado criar uma consciência ambiental para preservar o nosso planeta.

Em 2012 foi realizada a Conferencia da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável, a chamada Rio+20, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho de 2012. Participaram líderes dos 193 países que fazem parte da ONU.

Dentre os principais temas debatidos na Rio+20 estiveram: um balanço do que foi feito nos 20 anos passados, em relação ao meio ambiente;  a importância e os processos da Economia Verde; ações para garantir o desenvolvimento sustentável do planeta; formas de eliminar a pobreza. Desse encontro saiu um documento contendo medidas e práticas para o desenvolvimento sustentável.

Em 2015, durante a Assembleia Geral realizada em Nova York, na sede da ONU, foi celebrado o nono Diálogo sobre a Harmonia com a Natureza.

No próximo dia 23 de setembro, haverá a Cúpula do Clima, organizada pelo secretário geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, para tratar das mudanças climáticas e acelerar o Acordo de Paris sobre a Mudança Climática.

Vários cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais vêm refletindo e escrevendo, nestas últimas décadas, sobre a defesa da mãe Terra. O líder internacional Papa Francisco contribuiu fortemente para essa reflexão com a sua primeira encíclica, intitulada Laudato Si, de 24 de maio de 2015, que analisa com profundidade e amplitude o cuidado que se deve ter com a Terra, em grave perigo pelo crime do “uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou”.

O Dia Mundial da Terra, criado pelas Nações Unidas, nos dá a oportunidade de aumentar a conscientização de todos os habitantes do planeta sobre os problemas que afetam a nossa casa comum e de promover a harmonia entre a Terra e seus habitantes.

A ONU escolheu a cidade de Salvador, Bahia, para sediar a Semana do Clima, para antecipar as discussões sobre as Mudanças Climáticas (COP25) a ser realizada em dezembro no Chile. Obtusamente, o presidente Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente não aceitaram a realização dessa semana em Salvador. As criticas a essa postura foram tão fortes e várias, vindas de todo lado, e mesmo do exterior, que o governo recuou e sediará o evento do clima. O recuo é bem-vindo e prestigia o País no exterior.

Em suma, cada um de nós pode fazer diariamente atos para cuidar do planeta Terra, de forma a alcançar um equilíbrio entre as necessidades econômicas, sociais e ambientais da nossa geração e das futuras.

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