Data esquecida na celebração dos 70 anos da USP no interior

Tito José Bonagamba é professor titular do Instituto de Física de São Carlos – USP

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Foto: Reprodução/IFSC

 

A Universidade de São Paulo tem celebrado com grande carinho duas datas importantes de sua história e intrinsecamente associadas a dois momentos de relevo para o nosso País.

Poucos anos após a Declaração da Independência do Brasil, Dom Pedro I, em um Decreto-Lei de 11/8/1827, há 191 anos, criou a Academia de Direito de São Paulo, hoje nossa prestigiosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Imediatamente após a Revolução Constitucionalista de 1932, surgiu o movimento para criar uma universidade que pudesse fortalecer o Estado de São Paulo. Enfim, em 25/1/1934, há 84 anos, o governador do Estado de São Paulo, Armando de Salles Oliveira, criou a Universidade de São Paulo (USP), já incluindo a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

Essas duas ações transformaram o Estado de São Paulo e nosso País. Por essa razão, devemos celebrá-las com grande vigor todos os anos.

No entanto, a USP teve um terceiro momento de enorme valor histórico, que transformou o interior do Estado de São Paulo e trouxe novas e ricas vertentes para nossa Universidade.

Após a Segunda Guerra Mundial, ocorreu um intenso movimento para a criação de estabelecimentos de ensino superior em cidades do interior do Estado de São Paulo. A comunidade de São Carlos agiu fortemente neste sentido, com o desejo da cidade ser um dos municípios-sede, em função de suas credenciais (1).

O deputado estadual de São Carlos, Miguel Petrilli, abraçou a nobre causa e submeteu à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) o Projeto de Lei número 10, no dia 25/7/1947, propondo a criação da Universidade de São Carlos (2).

Por razões similares, no dia 8/8/1947, o deputado estadual Luiz Augusto Gomes de Mattos apresentou à Alesp o Projeto de Lei nº 37, propondo a criação da Universidade de Ribeirão Preto (3).

Embora gerando grandes debates na Alesp a partir de 25/7/1947 (4,5), recebendo uma manifestação de desaprovação por unanimidade do Conselho Universitário da USP em 12/5/1948 (6,7) e tendo o veto do governador do Estado de São Paulo em 10/9/1948 (8), o embrião da proposta apresentado pelo deputado estadual Miguel Petrilli (Projeto de Lei número 10) evoluiu e alcançou êxito em 24/9/1948, em pouco mais de um ano, com a publicação da Lei número 161 (9,10), criando, entre outros estabelecimentos de ensino superior, a Escola de Engenharia de São Carlos e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Durante esse período, Adhemar Pereira de Barros e o professor Lineu Prestes eram, respectivamente, o governador do Estado de São Paulo e o reitor da USP.

Tendo em mente o enorme sucesso alcançado pelos dois primeiros estabelecimentos de ensino superior criados no interior do Estado de São Paulo sob a tutela da USP no início da década de 1950, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), bem como de todos os outros campi e Unidades de Ensino e Pesquisa da USP originados na esteira deste movimento, não podemos nos esquecer do dia 24/9/1948, do propositor inicial desta Lei, deputado estadual Miguel Petrilli, nem daqueles que brilhantemente o auxiliaram aprimorando o projeto inicial, destacando o deputado estadual Luiz Augusto Gomes de Mattos.

Coube a honra de inaugurar as atividades da FMRP/USP em 1952, sob a direção do professor Zeferino Vaz, e da EESC/USP em 1953, sob a direção do professor Theodoreto de Arruda Souto, ao governador Lucas Nogueira Garcez. Durante esse período, o reitor da Universidade de São Paulo foi o professor Ernesto Moraes Leme.

Essa história ainda deve ser mais bem contada e reconhecida pela USP, com o cuidado de prestigiar todos os nomes de destaque deste importante momento da nossa Universidade, que transformou o interior do Estado de São Paulo e aperfeiçoou a USP como um todo.

Embora tardiamente, parabéns à USP do interior por esta importante data e pelo seu contínuo sucesso desde o início da década de 1950!

 

Referências:

1) Vide jornais da época de São Carlos, entre 1947 e 1948.

2) https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1025324

3) https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1025361&tipo=1&ano=1947

4) Vide transcrições dos debates ocorridos na ALESP em torno do Projeto Lei nº 10 de 25/07/1947, transformado na Lei nº 161 de 24/09/1948.

5) A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP (1948 -1975), Marcelo José Araújo, Tese de Doutorado, UFSCar, 2007.

6) Vide Processo USP nº 14.138-47, Projeto de Criação da Universidade de São Carlos: Parecer da Comissão de Ensino e Regimentos.

7) Vide Manifestação do Reitor da USP ao Governo do Estado de São Paulo, 12/05/1948 – N.S/G 198, P. 3783/48.

8) Vide Veto do Governador do Estado de São Paulo ao Projeto, Gabinete do Governador do Estado de São Paulo, 10/09/1948,  N. 13-48, A.T.L. – Proc. 621-48, A.T.L.

9) https://www.al.sp.gov.br/norma/30284

10)http://dobuscadireta.imprensaoficial.com.br/default.aspx?DataPublicacao=19480926&Caderno=Poder%20Executivo&NumeroPagina=29

 

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