USP produz tecnologia para segurança pública em smart cities

Sistema criado pela Poli, em parceria com a Huawei, identifica atividades ilícitas por câmeras

Por - Editorias: Universidade
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Smart Campus, sistema de segurança pública capaz de identificar atividades ilícitas através de monitoramento por câmeras – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Todos os dias, milhares de pessoas circulam pela Cidade Universitária da USP, em São Paulo. O público é diverso: funcionários, estudantes, professores, praticantes de atividades físicas, pessoas que buscam serviços oferecidos pela Universidade, ou mesmo moradores que usam o espaço como passagem.

Para monitorar o campus e aumentar a sua segurança, uma pesquisa da Escola Politécnica (Poli), em parceria com a empresa chinesa em tecnologia Huawei, desenvolveu o Smart Campus.

Ele é um sistema que utiliza dispositivos e câmeras de alta tecnologia para identificar pessoas em atividades suspeitas dentro da Cidade Universitária. Esses dispositivos detectam rostos e objetos e enviam as informações para um banco de dados em nuvem que, por sua vez, é capaz de identificar a pessoa se ela estiver cadastrada no sistema. Se houver indícios de atividades suspeitas, o sistema envia um alerta de segurança.

Sistema é capaz de identificar pessoas, rostos e objetos cadastrados no banco de dados – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Smart Campus foi desenvolvido durante a pesquisa de doutorado de Fabio Henrique Cabrini no Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI) da Poli. Ele também é o atual responsável técnico do Fiware Lab de São Paulo, onde engenheiros e empreendedores podem desenvolver e testar suas ideias para tecnologia.

“A ideia é que esse sistema permita realizar um monitoramento de forma não intrusiva, sem expor as pessoas. É um sistema de vigilância, de monitoramento para se observar tumultos, problemas que possam vir a acontecer, como atos de vandalismo na Cidade Universitária”, explica.

Fábio Cabrini – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Além da Poli, outras unidades também participam do projeto estudando lugares apropriados para instalar o sistema e analisando questões jurídicas do monitoramento e armazenamento de imagens.

“Estamos trabalhando para que no futuro a ferramenta consiga identificar o caminho que a pessoa faz dentro da Universidade e possa até traçar o perfil da mesma”, contou Cabrini.

Para isso, ele afirmou ser necessário o desenvolvimento de uma infraestrutura de comunicação melhor do que a que existe atualmente, uma vez que o tempo de resposta entre os dispositivos, denominado latência, pode sofrer atrasos mesmo com a tecnologia 4G. Devido a esse problema, a Poli e a Huawei já estão trabalhando com projetos nesse sentido, e até falam na construção de uma comunicação 5G

Segundo Moacyr Martucci Jr., um dos professores responsáveis pela parceria com a empresa chinesa, a tecnologia testada na Cidade Universitária pode ser aplicada a qualquer município.

“Estamos na primeira fase, ou seja, desenvolvemos uma tecnologia”, explica o professor. “Para chegar até as cidades, precisamos transformar isso em inovação para o ambiente industrial. Primeiro, fizemos a pesquisa. Agora, testamos em ambientes reais, para depois lançar o produto e aplicar nas cidades.”

Parceria

Demonstração do projeto Safety City – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Smart Campus faz parte de um projeto para desenvolver e implementar o conceito de cidade segura (safety city), utilizando Internet das Coisas (IoT). Ele é o primeiro resultado da parceria da USP e a Huawei, firmada em março do ano passado.

Além do projeto de segurança, a parceria também visa a gerar sistemas inteligentes para a educação. Uma das pesquisas que estão sendo desenvolvidas envolve medir o nível de interesse de um estudante sobre conteúdos didáticos. Um dispositivo instalado no computador conseguirá extrair comportamentos e padrões sobre como os alunos interagem dentro da sala de aula, utilizando ferramentas como big data e analytics.

Cursos e treinamentos para capacitação de estudantes de escolas públicas na área de tecnologias da informação e da comunicação (TIC) também estão sendo oferecidos pela Poli e a Huawei. “Essa parceria nos financia para gerar conhecimento e, com isso, a sociedade ganha um produto final de qualidade”, afirma Martucci Jr.

Udo Doher, José Roberto Castilho Piqueira, Hamilton Varela e Henri Hezhe – Foto Marcos Santos/USP Imagens

Pesquisa para aplicar na sociedade

A demonstração do Smart Campus foi realizada no dia 12 de julho, na Cidade Universitária, durante a assinatura de um acordo de intenções entre a diretoria da Escola Politécnica e a prefeitura de Joinville, Santa Catarina. O evento teve apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, com a presença do professor Hamilton Varela e do diretor de marketing da Huawei, Henri Hezhe.

Moacyr Martucci Jr. – Foto Marcos Santos/USP Imagens

A proposta é trabalhar em conjunto para desenvolver projetos relacionados à Internet das Coisas com o objetivo de melhorar a infraestrutura da cidade. O município figura entre os 50 mais inteligentes do Brasil e já utiliza sistemas informatizados de administração jurídica para a melhor gestão da cidade. Exemplos deles são o Sigeor, Simgeo e Sei, ferramentas on-line que facilitam a busca por informações geográficas, administrativas e jurídicas da cidade.

“Esse protocolo é importante para um desenvolvimento triplo: da Universidade, da sociedade e da atividade industrial”, avalia José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, a principal unidade envolvida no projeto.

“Pretendemos triplicar os índices econômicos e sociais da cidade em 30 anos, e fazer com que ela seja considerada uma cidade inteligente no futuro”, afirmou o prefeito Udo Doher, que disse ser imprescindível a parceria entre o setor público e a academia para isso.

O prefeito prevê acordos para transformar a cidade em um centro digitalizado e inteligente em longo prazo. A parceria com a Poli caminha nesse sentido. “Não estamos olhando para a Joinville de hoje, mas para a Joinville do futuro”, completou.

O professor Moacyr Martucci Jr. explicou como a Poli irá contribuir no projeto. “Iremos utilizar as inovações relacionadas à IoT desenvolvidas no Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos em aplicações práticas para a cidade, de acordo com os interesses dela”, afirmou. “Podemos fazer isso em diferentes setores, como o da saúde, segurança pública e educação. A assinatura de hoje significou a abertura de um leque de possibilidades”.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Poli

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