Trajetória da Faculdade de Saúde Pública acompanhou demandas da sociedade

Desde 1918, instituição atua para melhorar as condições de saúde da população e para a formulação de políticas públicas

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Prédio do então Instituto de Hygiene, em 1931 – Foto: Reprodução do livro A Casa de Higeia/Centro de Memória da Saúde Pública FSP

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Há cem anos, num cenário de altos índices de propagação de doenças e de mortalidade infantil, foi criado o Laboratório de Higiene na capital paulista – instituição que mudaria de sede e de nome até se tornar a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Precursora em inúmeras áreas, a unidade tem forte relação com a comunidade local e produz conhecimento para contribuir no combate a doenças e na formulação de políticas públicas.

Sua relevância para a saúde nacional é a base de uma pesquisa desenvolvida por Mariana de Carvalho Dolci – historiadora e doutoranda em Saúde Pública pela FSP. Ela analisou os acontecimentos relacionados ao instituto no último século, como o pioneirismo nacional do curso de Nutrição, a contenção de mazelas enfrentadas pela capital e a direta participação na gestão da saúde paulista.

As cidades, ao congregarem populações, tornam-se locais mais propícios à propagação de doenças infecciosas. Há cem anos, São Paulo já concentrava instituições de ensino e pesquisa, favorecendo o desenvolvimento de estudos para enfrentamento destes problemas. Estas razões levaram à fundação, no início do século 20, do que hoje é a Faculdade de Saúde Pública”, explica Mariana.

O primeiro curso oferecido pela FSP foi o de formação para sanitaristas. Na época, a maior preocupação era o controle da febre amarela. Depois, surgiram aulas para constituição de educadores sanitários e capacitação de professores primários. Em 1939, a faculdade criou o primeiro curso de graduação em Nutrição do Brasil — considerado um dos melhores do País até hoje. Em 2012, foi implantado um curso de graduação específico em Saúde Pública.

 

A casa de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral: construída em 1908, tinha como proprietários a família de Oswald de Andrade. Em 1929, por dívidas de jogo, o poeta transfere o terreno e a casa ao Estado de São Paulo. Em 1987, o local passa a sediar o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza – Foto: Reprodução do livro A Casa de Higeia/Centro de Memória da Saúde Pública FSP

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O impacto social

Ao longo de seus cem anos de história, o desenvolvimento de políticas, planos e programas de qualidade ambiental e de vida realizados pela Faculdade de Saúde Pública esteve intimamente ligado ao cotidiano paulista. Desde 1970, o programa de pós-graduação deu origem a mais de 3 mil teses — 600 delas específicas do ramo da saúde ambiental.

Frutos de programas e estudos relacionados à FSP, Mariana Dolci destaca algumas importantes contribuições: fluoretação da água para a diminuição da incidência de cáries; iodação do sal de cozinha para prevenir o bócio; treinamento e capacitação de profissionais de saúde para controle da tuberculose; novas técnicas de diagnóstico laboratorial de DSTs e hanseníase; elucidação da dinâmica de doenças transmitidas por insetos vetores em áreas endêmicas, de forma a contribuir com sua eliminação; além de estudos sobre doenças não transmissíveis, como câncer e problemas cardiovasculares, e seus potenciais fatores de risco decorrentes do aumento da longevidade da população.

Primeira sede do Instituto de Hygiene ficava na Rua Brigadeiro Tobias – Foto: Reprodução do livro A Casa de Higeia/Centro de Memória da Saúde Pública FSP

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Em 1982, Zilda Arns, ex-aluna da Faculdade de Saúde Pública, foi responsável por implantar as ações da Pastoral da Criança em todos os municípios brasileiros. A intervenção da médica resultou diretamente em uma redução da mortalidade infantil nacional. Para Mariana, o exemplo de Zilda dá uma dimensão da importância da faculdade para o País. A pesquisadora também lembra que vários profissionais formados pela instituição estão envolvidos diretamente na constituição de órgãos públicos importantes, como a Sabesp e a Cetesb.

A professora do Departamento de Saúde Ambiental e ex-diretora da FSP, Helena Ribeiro, destaca que muitas áreas são abrangidas pela instituição: nutrição, saneamento ambiental, odontologia e administração sanitária, planejamento em saúde pública, controle de doenças infecciosas, saúde ocupacional, entre outras. “Mas, talvez, a grande mudança relacionada às transformações estruturais da sociedade e de estudos desenvolvidos na área que merece ser apontada seja a redução do impacto da mortalidade por doenças transmissíveis”, aponta.

Fachada atual da Faculdade de Saúde Pública – Foto: Francisco Emolo/USP Imagens

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Parte das contribuições da FSP está relatada em livro lançado em 2017,  Medicina e Contextos de Exceção: Histórias, Tensões e Continuidades. Nele consta a pesquisa Memória do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP): os anos 1969 a 1982, de autoria da professora Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre e das historiadoras Mariana de Carvalho Dolci e Mariana Carvalho Nico de Rezende.

A obra está disponível gratuitamente no site do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz da Faculdade de Medicina da USP.

 

cc


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