Relatório faz análise de 54 unidades da Universidade

Comissão Permanente de Avaliação divulgou resultado final do Ciclo de Avaliação Institucional da USP, que incluiu o trabalho de 183 assessores externos, 61 deles internacionais

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Atualizado em 5/5/2016
Izabel Leão e Roberto Castro / Jornal da USP
4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP de 2010 a 2014 - Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa
4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP de 2010 a 2014 – Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa

A Comissão Permanente de Avaliação (CPA) da USP fez a apresentação, no dia 31 de março, do relatório do quarto Ciclo de Avaliação Institucional da USP – relativo aos anos de 2010 a 2014 –, em evento no auditório da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Iniciado em 2014, o processo que resultou no relatório avaliou 54 unidades da Universidade – incluindo faculdades, institutos, centros especializados, museus e hospitais – e incluiu o trabalho de 183 assessores externos à USP, dos quais 61 internacionais.

“De maneira geral, a avaliação apontou aquilo que nós defendemos sempre: a USP cresceu bastante, hoje é referência para a América Latina e tem condições de buscar novos patamares de qualidade”, analisa o vice-reitor da USP, professor Vahan Agopyan, presidente da CPA, formada por dez membros.

Os assessores sêniores sempre destacam a necessidade de uma contínua busca pela qualidade

A partir dos resultados apresentados, a próxima etapa será a visita da Comissão de Avaliação às 54 unidades avaliadas, a fim de discutir e propor soluções para os problemas apresentados no relatório. Vahan Agopyan deixa claro que a Reitoria não irá interferir no processo, mas simplesmente fará a gestão das propostas. “A comunidade uspiana participou integralmente desse processo, compreendendo e assimilando que a avaliação é uma ferramenta imprescindível para a gestão da Universidade”, destaca o vice-reitor.

Volumes

O relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP consiste em seis volumes de textos, referentes a áreas específicas da Universidade – graduação, pós-graduação, pesquisa, cultura e extensão universitária, internacionalização e gestão –, além da apresentação geral.

No que se refere à graduação, o relatório aponta que os egressos da USP, em todos os setores, têm sido bem aceitos no mercado de trabalho e, em vários casos, ocupam posição de destaque em empresas, universidades, no serviço público, mercado financeiro e como profissionais liberais, particularmente no setor de saúde.

Vahan Agopyan, vice-reitor e presidente da Comissão Permanente de Avaliação CPA - Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa
Vahan Agopyan, vice-reitor e presidente da Comissão Permanente de Avaliação CPA – Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa

O texto salienta que foram raras as unidades que eliminaram ou substituíram as disciplinas existentes, embora todas reconheçam a necessidade da reforma curricular.

A simples expansão do número de disciplinas não garante uma melhor formação; às vezes, atrapalha

Outro aspecto levantado foi a alta exigência de cumprimento de horas-aula para a formação. “Falta a cultura subjacente à identidade e missão da Universidade, que hoje está constituída como uma extensão adiantada do ensino médio. O estudante vai à Universidade para assistir a aulas. Não há lugar para ficar e estudar”, cita o relatório, apontando como exceção a Faculdade de Educação, que tem a proposta de uma carga curricular formada por 20 horas-aula por semana ou 40 horas de trabalho intelectual por semana.

Sobre a pós-graduação, o relatório sugere que há uma alta taxa de evasão, que é preciso combater através de uma avaliação sistemática, a fim de conhecer o motivo dessa evasão, detectar suas causas e propor estratégias de recuperação.

Outro dado que merece destaque são os critérios de credenciamento de docentes para os programas de pós-graduação, que devem levar em consideração docentes mais produtivos e experientes, pois estes são itens que garantem o bom desempenho da pós-graduação.

O relatório mostra que a USP tem o maior conjunto de programas de pós-graduação entre as instituições brasileiras de ensino superior, com cursos de excelência em todas as áreas de conhecimento. “No entanto, no último período de tempo, apresentou desempenho desfavorável em alguns deles, em quantidade talvez maior do que a esperada, situação que deve ser continuamente acompanhada”, avalia o relatório.

Tempo

No que diz respeito à pesquisa, o relatório do quarto Ciclo de Avaliação Institucional da USP classifica as unidades da Universidade em pelo menos três categorias: a) aquelas em que as atividades de pesquisa estão em fase avançada e apresentam alta produção, capazes de competir internacionalmente, que devem servir de exemplo às outras unidades; b) aquelas em que a pesquisa é ainda incipiente, mas demonstram um “rumo correto e produtivo” e devem ser estimuladas; c) aquelas em que as atividades de pesquisa estão aquém do desejado no contexto da USP.

O relatório coloca na categoria “a” 27 unidades da USP. Entre elas estão a Faculdade de Medicina, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Instituto de Química, a Escola Politécnica e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Elas apresentam “desempenho de classe mundial como centros de pesquisa”, cita o relatório. Na categoria “b”, o relatório lista 22 unidades, incluindo a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), o Centro de Biologia Marinha (Cebimar), o Instituto de Energia e Ambiente (IEE) e o Instituto de Relações Internacionais (IRI). Essas unidades, sugere o relatório, “deveriam ser objeto de estudo individualizado, pois apresentam enorme potencial de pesquisa, mas ainda não obtiveram a qualificação plena”.

Na categoria “c”, estão classificadas quatro unidades: o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU), Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP), a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp) e a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP). O relatório ressalva que essas unidades estão entre as mais novas da Universidade e por isso ainda não tiveram tempo de estruturar a pesquisa mais firmemente.

É uma questão de tempo que se afirmem como centros geradores de pesquisa, pois os recursos humanos são qualificados

Já no que se refere à área de cultura e extensão universitária, o relatório cita que existe esse tipo de atividade em 75% das unidades. O texto sugere o planejamento de programas de cultura e extensão voltados para a comunidade e que a Comissão de Cultura e Extensão das unidades assumam um “protagonismo dinâmico e produtivo”.

O relatório aponta que há ainda algumas distorções no que diz respeito à valorização das atividades de cultura e extensão na carreira dos professores. Essas atividades não se apresentam em forma institucionalizada, mas sim como algo informal. “Na maioria das unidades não há políticas definidas e formalizadas nessa área.”

Inglês

Em relação à internacionalização, 86% das unidades têm alguma atividade relacionada com instituições do exterior e 77% merecem destaque. Como sugestão, o relatório propõe estabelecer planos e metas tangíveis em unidades em que a internacionalização ainda é incipiente ou inexistente, criar mecanismos para promover programas no exterior e usar a produção intelectual qualificada oriunda de pesquisas relevantes, visando à visibilidade internacional.

De acordo com o relatório, a USP vem desenvolvendo políticas efetivas de incentivo à internacionalização, como o Sistema Mundus, a Agência USP de Cooperação Nacional e Internacional (Aucani) e os Programas de Bolsas de Intercâmbio de Mérito Acadêmico e de Empreendedorismo. Mas é recomendado o aumento progressivo da oferta de disciplinas em inglês.

Sobre a gestão da USP, o relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional mostra que iniciativas de algumas unidades deveriam ser incorporadas por outras faculdades e institutos. Como exemplo, o texto cita a Faculdade de Medicina, que toma o Plano Nacional de Qualidade como seu modelo de gestão; o Instituto de Química, com sua preocupação com o ambiente e a sustentabilidade; a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, empenhada em estimular a participação de professores, funcionários e alunos na administração; e a Faculdade de Educação, que tem metas acadêmicas e administrativas bem definidas.

Ainda de acordo com o relatório, 90% das unidades apontaram problemas na área de infraestrutura, que acabam afetando as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Quanto aos recursos humanos, 84% das unidades sofrem impacto negativo com a redução do quadro de docentes e funcionários em suas atividades.

Comissão vai discutir resultados

Dirigentes das USP na apresentação do Relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP - Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa
Dirigentes das USP na apresentação do Relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP – Foto: Ernani Coimbra/Sala de Imprensa

O 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP não termina com a entrega do relatório da Comissão Permanente de Avaliação (CPA). Já a partir deste mês, a comissão vai visitar as 54 unidades da USP avaliadas, com o objetivo de discutir com professores, funcionários e estudantes os resultados do relatório. As visitas ocorrerão até o mês de setembro, quando será elaborado um documento final, com propostas para aperfeiçoar o trabalho das unidades e eliminar os problemas apontados no relatório. “Será um documento importantíssimo para a gestão da Universidade”, afirma o professor Pedro Vitoriano de Oliveira, assessor da Vice-Reitoria, que participou do processo de avaliação da USP.

Oliveira destaca que essas visitas são uma novidade na avaliação institucional da Universidade, que não ocorreram no ciclo anterior, referente aos anos de 2005 a 2009. “Queremos que toda a comunidade participe.” Outra inovação no processo de avaliação, segundo o professor, foi a introdução, nos questionários distribuídos às unidades, de questões relativas a áreas como internacionalização e inovação.

Texto traz sugestões para várias áreas da USP

O relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP aponta sugestões feitas pelas Comissões de Assessores Externos nas várias áreas de atuação da Universidade. A seguir, algumas delas.

GRADUAÇÃO

• Reestruturação curricular. Os avaliadores sugeriram adequação da estrutura curricular dos cursos, tornando-os mais atuais. “Avaliar os cursos a cada cinco anos quanto à concepção e utilidade” foi uma das propostas.

• Avaliação docente. Avaliações sistemáticas de desempenho dos docentes foram propostas pelos avaliadores. Houve sugestões de que essas avaliações fossem feitas pelos alunos.

• Apoio a atividades extracurriculares. Avaliadores sugeriram aperfeiçoar a oferta de disciplinas, a fim de avaliar a carga didática e permitir mais tempo para atividades extraclasse.

PÓS-GRADUAÇÃO

• Credenciamento de docentes. Para os avaliadores, o credenciamento de docentes mais produtivos e experientes é o que garante o bom desempenho da pós-graduação.

• Evasão. O relatório sugere que se faça uma avaliação sistemática para se conhecer a taxa de evasão dos alunos dos programas de pós-graduação, tentando identificar suas causas.

PESQUISA

• Qualidade da pesquisa. Os avaliadores apontaram a necessidade de as unidades investirem mais na qualidade e na relevância das pesquisas.

• Visibilidade internacional. É necessário aumentar a visibilidade das pesquisas no âmbito internacional, aponta o relatório. Para isso, é fundamental o aumento da qualidade e relevância das pesquisas, além do incentivo à produção de novas tecnologias e novas patentes.

CULTURA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

• Planejamento. Os avaliadores sugeriram o planejamento de programas de cultura e extensão voltados para a comunidade e que, em cada unidade, a comissão responsável por essa área assuma um “protagonismo dinâmico e produtivo”.

• Interação. O relatório propõe que as unidades de ciências humanas e artes – mais ligadas às atividades de cultura e extensão – promovam mais interação com outras áreas da USP.

INTERNACIONALIZAÇÃO

• Planejamento. Estabelecer planos e metas principalmente para as unidades em que a internacionalização é incipiente ou inexistente.

• Promoção externa. Criar mecanismos para promover os programas de graduação e pós-graduação no exterior.

GESTÃO

• Definição de metas. Para algumas unidades e departamentos, foi sugerida a definição de metas mais claras e objetivas.

 

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