Projetos buscam tornar SP mais acolhedora para população de rua

Nova disciplina da USP desafia alunos a propor soluções artísticas e urbanísticas

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Trabalhadores da Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Papelão, Aparas e Materiais Reaproveitáveis – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Um dos maiores problemas sociais de São Paulo são as pessoas em situação de rua. Censo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) junto à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo mostra que essa população praticamente dobrou em 15 anos,
 saltando de 8.706 em 2000 para 15.905 em 2015.

Para refletir sobre o problema e propor alternativas de diminuição do sofrimento social, estudantes pediram à professora Maria Cecília Loschiavo dos Santos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, uma disciplina que tivesse como objeto as pessoas que vivem nas ruas.

Assim, no começo deste ano, nasceu a matéria População de Rua: Design, Cidade e Contemporaneidade, na qual os estudantes debatem o assunto com especialistas e devem apresentar um projeto de intervenção urbana a fim de construir políticas de inclusão.

Maria Cecília é a responsável pela disciplina e trabalha há mais de 20 anos com o tema, que foi, inclusive, o foco da sua tese de livre-docência na FAU. Ela convidou o jornalista e professor Liandro Lindner, cuja tese de doutorado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP foi sobre a tuberculose em população de rua, para uma primeira experiência com a disciplina.
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Walisson Borges, trabalhador da Coopamare, explica aos alunos o trabalho da cooperativa – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Foram abertas 15 vagas para os estudantes da USP, mas as inscrições chegaram a quase 50 pessoas – a maioria do curso de Arquitetura e Urbanismo e intercambistas.

As aulas são divididas em três módulos. O primeiro é teórico, com leituras de produções sobre o tema e exposição de profissionais que trabalham com moradores de rua. Um desses convidados foi a consultora de políticas públicas Maria Magdalena Alves. Ela conversou com os alunos sobre o movimento de catadores de recicláveis.

O segundo módulo teve visitas a locais de convivência e atendimento à população de rua, como o Centro de Inclusão pela Arte, Cultura, Trabalho e Educação (Cisarte) e a Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Papelão, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare).

O terceiro módulo deve ocorrer até o final de junho, quando os alunos finalizam seus projetos. Todos os trabalhos dos estudantes serão expostos no Cisarte, localizado no bairro da Bela Vista, no dia 28 de junho.

Lindner conta que estão programadas mais algumas visitas a unidades de saúde que trabalhem com esse grupo de pessoas. A Cracolândia também fazia parte do roteiro da disciplina, mas devido aos últimos acontecimentos na região a visita foi suspensa.
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Trabalhadores da Cooperativa de Catadores Autônomos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Wallison Borges e a professora Maria Cecília Loschiavo dos Santos  – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Projetos

A turma está na fase de elaboração das suas propostas de intervenção. Entre os projetos está o das estudantes de Arquitetura Anna Carolina, Claudia, Andréia e Amanda, e as intercambistas Antuané, do Peru, e Viviane, da Alemanha.

As meninas decidiram enxergar a cidade pela perspectiva dos moradores de rua. Para isso, entregaram duas câmeras fotográficas a dois desses moradores, Sérgio e Adriana (esta última recém-saída da rua), para que registrassem seu dia a dia da perspectiva que quisessem.

“A intenção era, a partir da visão de um homem e de uma mulher, conversar com eles sobre o significado de cada fotografia e entender o por quê deles registrarem aquelas imagens”, conta a estudante Anna Carolina.

Outro trabalho visa a mapear os “vazios urbanos” da cidade e pensar maneiras de fazer esses espaços serem ocupados pelos moradores de rua. A estudante Jéssica explica que vazios urbanos são espaços públicos da cidade que não cumprem a sua função social e, geralmente, a população de rua é a única a ocupar esses espaços.

Tanto a população quanto o governo agem imediatamente para que eles não ocupem esses espaços, com uso de cacos de vidro, cercas e outros dispositivos. Então resolvemos ir no sentido contrário: e se pensarmos esses espaços justamente para essas pessoas?”
Jéssica, estudante da FAU

Além de Jéssica, o grupo conta com as estudantes do terceiro ano de Arquitetura Stephanie, Michelle e Natalia.

“Como houve muita empolgação e engajamento da turma nesta nova disciplina, ela será ministrada semestralmente, porém no segundo semestre o foco será em catadores de materiais”, afirma a professora Maria Cecília.

 

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